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quinta-feira, 24 de março de 2011

Seja algo que você ame e entenda.

Quando eu tinha uns nove anos, fiz parte do grupo dos Pesquisadores Mirins do Museu Emilio Goeldi. Lembro de ficar maravilhada com aquele mundo verde e vivo, e do quanto me senti especial e superior por poder ultrapassar aquela corrente com a placa de Proibida a Passagem, e fazer parte do seleto grupo de pessoas que chegou a conhecer a área veterinária do Goeldi. Desde então eu tive certeza de que seria bióloga.

O tempo foi passando, e eu comecei a me interessar mais pelos mistérios do mundo aquático e tudo aquilo que o envolve. Essa curiosidade somada à vontade de aprender a surfar, na minha cabeça de menina, só podia significar que eu moraria em Florianópolis e seria oceanógrafa.

Cresci mais um pouquinho, e descobri que o que eu mais queria era viajar e trabalhar pelo mundo. Ora, o que mais eu seria se não diplomata? Bastava agora decidir qual curso me daria melhor base pra chegar no Itamaraty, mas isso não ocupou muito a minha mente. Talvez tenha parado pra pensar nessa questão quando fiz minha inscrição nos processos seletivos seriados das Universidades, no 1º e no 2º anos do Ensino Médio, mas pra quê se preocupar com isso agora? Eu ainda tinha tempo.

E então eu cheguei Naquele Ano. O último ano do começo de tudo (tive que mandar essa). Aquele ano em que o formulário de inscrição das Universidades faz aquela pergunta definitiva: mas, afinal, o que tu queres fazer pro resto da tua vida? "Cara, eu tenho 17 anos, como eu vou saber!?", foi o que eu pensei. Juro que admiro as pessoas que sabem, cursam e são felizes para sempre. Juro. Mas eu não fui capaz. Eu mal sabia o que não queria, imagina se eu saberia do que iria gostar pro resto da minha vida!

Foi aí que eu fiz seis meses de Direito na Unama, e tive a mais absoluta certeza de que era isso mesmo que eu queria, tanto que larguei a Unama e fiz vestibular mais uma vez pra Direito, e passei agora na UFPA. Se eu pudesse fazer uma visitinha pro meu eu de 18 anos, eu daria na cara dela!

Hoje, eu completo 24 anos de idade, e deveria ter recebido o grau de Bacharel em Direito ontem, dia 23 de março, mas estou certa de que o meu destino está longe da carreira jurídica. Tenho orgulho dos meus amigos que devem estar amargurando uma das melhores ressacas de suas vidas, mas sei que o direito oferece um vasto leque de opções de carreiras que não me cabem. Quero é distância!

Meu mundo é o dos livros, não das leis. Eu quero oferecer livros, mundos, fantasias; não quero pedir, decidir, julgar... implorar. Eu quero cheiro de livro novo, não de processo velho. Eu quero trabalhar em uma editora, não em tribunais, escritórios, salas de aula ou o que seja. Eu tenho 24 anos e sei o que quero. Por isso pego emprestadas as palavras do Caio Fernando Abreu: Apronto agora os meus pés na estrada. Ponho-me a caminhar sob sol e vento. Vou ali ser feliz e já volto.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Gigi sem Justin Long

Presa pela chuva, contando apenas com a companhia da minha agenda e meu estojo perdidos em algum lugar da minha bolsa, e uma boa ajuda das músicas do meu celular, pensamentos e ideias interessantes passaram a ocupar a minha cabeça. E depois de todas as lamúrias e “se’s” que me trouxeram a esta mesa da Camões, tirei a agenda e a lapiseira da bolsa, e me deparei com a situação que venho enfrentando desde… desde algum ponto do ano passado: o que escrever?

Pensei em tanta coisa, em tantos planos e possibilidades… e mais que qualquer coisa, pensei em ti. Em como as coisas têm acontecido, e em como tudo poderia ser diferente. Pensei em como seria se tu não tivesses uma namorada e se isso realmente mudaria alguma coisa, e pensei no que de fato as coisas são. Porque eu realmente não sei o que pensar quando tu me surpreendes com um elogio, como quando dizes gostar do que fiz no cabelo, ou que minhas mãos são bonitas ou o quanto tu gostas quando eu uso óculos. E fico totalmente perdida quando fazes coisas como vir falar comigo dizendo que meu avatar ficou quase perfeito, mas que eu fiquei linda do mesmo jeito. O que exatamente eu devo fazer com isso?! Eu juro que tento não encorajar nada, mas tá bem difícil segurar essa onda…

Sempre que tento entender essas coisas, acabo em um debate interno, onde parte de mim prova por A+B que isso é um comportamento normal de uma pessoa simpática e aberta que não pretende demonstrar nada além do que pensa e sente, o que geralmente confunde as pessoas, e o outro lado argumenta que uma pessoa comprometida não deveria fazer isso, de modo que essa atitude tem que significar alguma coisa, ainda que de alguma forma errada. E eu me sinto como a Gigi, daquele filme “Ele não está tão a fim de você”, vendo sinais em todos os lugares, principalmente onde eles não existem, e sem o Justin Long pra me dar conselhos e acabar ficando comigo no final.

Pior que isso é a sensação irritante de que na verdade eu faço parte de outro núcleo do filme, onde tu e eu somos uma versão pós acidente extremamente traumático do Bradley Cooper e da Scarlett Johansson, mas não é verdade. Eu sou a Gigi. Indubitavelmente. Porque, correndo o risco de parecer uma virgem de 13 anos, eu prefiro ser que nem ela, e realmente acreditar que existe alguém por aí que vai enfim mandar os verdadeiros sinais, e por quem eu vou ter a coragem de ser e viver tudo o que me for permitido, por mais que eu saia pegando sinais alheios a torto e a direito no caminho. Eu sou assim, ainda que tu não sejas o meu Justin Long. Na verdade, eu sei que tu não és. Porque tu estás mais pro Ben. Porque tu mereces a Anna. E eu sei que mereço o Justin Long.

 
Somewhere Only We Know - Keane

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Tempo de mudança

Não é resolução de fim de ano. Não é uma simples decisão. É um fato: eu mudei. E aí você para e pensa: “ué, mas todo mundo muda”. Obviamente. Todo mundo muda, o tempo todo. A questão é que eu gosto de quem eu sou e do caminho que to seguindo nesse momento, e eu nem lembro quando foi a última vez que eu me senti assim.

Não vou discorrer aqui sobre todos os aspectos da minha vida, nem vou me desfazer em devaneios sobre como uma parte do teu mundo pode desmoronar enquanto outra parte se constrói. A vida é assim, todos conhecemos. Esse post é pra definir um marco: acabou a fase da melancolia azul. Inicia-se uma nova fase. Esse blog, eu, minha vida.

Chuva de Espinhos sobre o coração
Faz sangrar no fundo e a ilusão
Não tem mais sentido não tem mais lugar
Numa vida cheia limpa como o ar
Vou correr para as nuvens
Já que a vida corre e o tempo não se vê
Faça tudo simples olhe p'ra você
Mude de idéia se esse for o caso
Deixe entrar um pouco d'água no quintal
Fique em pé sem se cansar
Quanta coisa de errado eu já fiz
Tudo está gravado em algum lugar
Já é hora de equilibrar. Mutação

Foi por culpa minha o que eu deixei passar
Quanto mais se dorme menos tem p'ra dar
Mexa-se rapaz não deixe de entender
Abra bem os olhos para o amanhecer
Faça força irmão não morrer
Deus criou os anjos para nos guiar
Dê um pouco o braço deixe um pegar
Não se desespere com a escuridão
Abra a mente deixe entrar a inspiração
E o que é bom vem depois
Muita estrada em minha vida já andei
Quase nem senti o rumo que tomei
Não sou mais não sou menos

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Dai-me outra cor, dai-me o amor, dai-me uma dor

Outro dia eu tava almoçando em casa - o que é algo a se comemorar -, e tava passando um desses programas de esporte da Globo. Eles estavam falando sobre Slackline, sabe? Uma nova brincadeira, que aqueles malucos ficam se equilibrando em cordas bambas, e agora eles resolveram fazer isso em lugares cada vez mais altos. Enfim, o que eu queria dizer é que tinha esse cara no estúdio, não lembro o nome dele, mas ele me fez lembrar de ti. Ele tinha exatamente o teu jeito. Mesma pose, com o rosto levemente levantado, como quem olha por cima, os olhos meio fechadinhos, e o sorriso… caramba!, o sorriso era o teu. Do jeitinho que eu lembro. Simplesmente igual.

Foi estranho. Eu nunca mais tinha pensado em ti. Se a gente não contar a Feira do Livro, claro, mas aí não vale, foi lá que a gente foi da última vez, lembra? Ano passado, pro show do João Bosco. Seria impossível não lembrar de ti ao ir pros shows desse ano. Já comecei a pensar em ti no meio do caminho. Te ver no dia do Gilberto Gil, aliás, não estava realmente nos meus planos. Falar contigo, no dia do Lenine, então… Isso não poderia fazer bem pra minha resolução de não pensar mais em ti.

Mas eu me comportei bem. Fingi que te ver era perfeitamente natural, e que perceber teus olhares não me causava efeito algum. Foi difícil… Então, talvez por uma providência divina, eu acabei te perdendo no meio da confusão de gente antes que toda a coisa do fingimento falhasse desastrosamente, e consegui sair daquela noite ilesa. Praticamente. Afinal, eu passei dois ou três dias pensando em ti, e ainda esperei te encontrar na noite do show do Móveis Coloniais de Acaju, como a perfeita idiota que sou. Mas, como eu disse, a Feira do Livro não conta, e eu voltei a não pensar em ti, até ver o cara do programa de esportes quando fui almoçar em casa.

E eu não gostei de lembrar de ti. Não gosto. A nossa historia não é o que a gente pode chamar de uma bonita história de amor. Não foi amor. Não foi bonita. E eu não consigo pensar em um motivo racional pra sentir o que eu sinto quando se trata de ti, e talvez tenha que ser assim, irracional mesmo. Mas qual o sentido? Uma amiga diz que não existe esse negócio de gostar de alguém se esse alguém não te dá motivos pra isso, e mesmo assim, cá estou eu, pensando em ti e me perguntando se tu vais estar no show do Mombojó, hoje. Lembra? Era o que tava tocando no teu carro da última vez…

(To sem áudio aqui no estágio, logo não sei se a qualidade desse vídeo é das melhores. Espero que sim. =P)

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Do outro lado da tarde

Em janeiro desse ano, eu comprei o pocket O Ovo Apunhalado, do Caio Fernando Abreu, pra me acompanhar na viagem pro Rio de Janeiro. Eu nunca tinha lido mais do que poucas palavras dele, quase todas por causa de uma amiga viciada em caio f., e estava curiosa, logo, comprei o livro. Este, que ainda guarda um ticket do dia que fui ao Corcovado, ficou encostado, perdido entre outros dos meus amigos de papel, principalmente porque não tinha encontrado toda essa magnificência nos textos dele. Até hoje, 20 de setembro de 2010, quando peguei o livro pra ler mais alguns de seus contos, e me deparei com Do outro lado da tarde, penúltimo conto do livro. E foi um tapa na cara. Juro. Eu queria que esse texto fosse meu.

Sim, deve ter havido uma primeira vez, embora eu não lembre dela, assim como não lembro das outras vezes, também primeiras, logo depois dessa em que nos encontramos completamente despreparados para esse encontro. E digo despreparados porque sei que você não me esperava, da mesma forma como eu não esperava você. Certamente houve, porque tenho a vaga lembrança – e todas as lembranças são vagas, agora –, houve um tempo em que não nos conhecíamos, e esse tempo em que passávamos desconhecidos e insuspeitados um pelo outro, esse tempo sem você eu lembro. Depois, aquela primeira vez e logo após outras e mais outras, tudo nos conduzindo apenas para aquele momento.

Às vezes me espanto e me pergunto como pudemos a tal ponto mergulhar naquilo que estava acontecendo, sem a menor tentativa de resistência. Não porque aquilo fosse terrível, ou porque nos marcasse profundamente ou nos dilacerasse – e talvez tenha sido terrível, sim, é possível, talvez tenha nos marcado profundamente ou nos dilacerado -  a verdade é que ainda hesito em dar um nome àquilo que ficou, depois de tudo. Porque alguma coisa ficou. E foi essa coisa que me levou há pouco até a janela onde percebi que chovia e, difusamente, através das gotas de chuva, fiquei vendo uma roda-gigante. Absurdamente. Uma roda-gigante. Porque não se vive mais em lugares  onde existam rodas-gigantes. Porque também as rodas-gigantes talvez nem existam mais. Mas foram essas duas coisas – a chuva e a roda-gigante –, foram essas duas coisas que de repente fizeram com que algum mecanismo se desarticulasse dentro de mim para que eu não conseguisse ultrapassar aquele momento.

De repente, eu não consegui ir adiante. E precisava: sempre se precisa ir além de qualquer palavra ou de qualquer gesto. Mas de repente não havia mais depois: eu estava parado à beira da janela enquanto lembranças obscuras começavam a se desenrolar. Era dessas lembranças que eu queria te dizer. Tentei organizá-las, imaginando que construindo uma organização conseguisse, de certa forma, amenizar o que acontecia, e que eu não sabia se terminaria amargamente – tentei organizá-las para evitar o amargo, digamos assim. Então tentei dar uma ordem cronológica aos fatos: primeiro quando e como nos conhecemos – logo a seguir, a maneira como esse conhecimento se desenrolou até chegar no ponto em que eu queria, e que era o fim, embora até hoje eu me pergunte se foi realmente um fim. Mas não consegui. Não era possível organizar aqueles fatos, assim como não era possível evitar por mais tempo uma onda que crescia, barrando todos os outros gestos e todos os outros pensamentos.

Durante todo o tempo em que pensei, sabia apenas que você vinha todas as tardes, antes. Era tão natural você vir que eu nem sequer esperava ou construía pequenas surpresas para te receber. Não construía nada – sabia o tempo todo disso -, assim como sabia que você vinha completamente em branco para qualquer palavra que fosse dita ou qualquer ato que fosse feito. E muitas vezes, nada era dito ou feito, e nós não nos frustrávamos porque não esperávamos mesmo, realmente, nada. Disso eu sabia o tempo todo.

E era sempre de tarde quando nos encontrávamos. Até aquela vez que fomos ao parque de diversões, e também disso eu lembro difusamente. O pensamento só começa a tornar-se claro quando subimos na roda-gigante: desde a infância que não andávamos de roda-gigante. Tanto tempo, suponho, que chegamos a comprar pipocas ou coisas assim. Éramos só nós dois na roda-gigante. Você tinha medo: quando chegávamos lá em cima, você tinha um medo engraçado e subitamente agarrava meu braço como se eu não estivesse tão desamparado quanto você. Conversávamos pouco, ou não conversávamos nada – pelo menos antes disso, nenhuma frase minha ou sua ficou: bastavam coisas assim como o seu medo ou o meu medo, o meu braço ou o seu braço. Coisas assim.

Foi então que, bem lá em cima, a roda-gigante parou. Havia uma porção de luzes que de repente se apagaram – e a roda-gigante parou. Ouvimos lá de baixo uma voz dizer que as luzes tinham apagado. Esperamos. Acho que comemos pipoca enquanto esperamos. Mas de repente começou a chover: lembro que seu cabelo ficou todo molhado, e as gotas escorriam pelo seu rosto exatamente como se você chorasse. Você jogou fora as pipocas e ficamos lá em cima: o seu cabelo molhado, a chuva fina, as luzes apagadas.

Não sei se chegamos a nos abraçar, mas sei que falamos. Não havia nada para fazer lá em cima, a não ser falar. E nós tínhamos tão pouca experiência disso que falamos e falamos durante muito e muito tempo, e entre inúmeras coisas sem importância você disse que me amava, ou eu disse que te amava – ou talvez os dois tivéssemos dito, da mesma forma como falamos da chuva e de outras coisas pequenas bobas e insignificantes. Porque nada modificaria os nossos roteiros. Talvez você tenha me chamado de fatalista, porque eu disse todas as coisas, assim como acredito que você tenha dito todas as coisas – ou pelo menos as que tínhamos no momento.

Depois de não sei quanto tempo, as luzes se acenderam, a roda-gigante concluiu a volta e um homem abriu um portãozinho de ferro para que saíssemos. Lembro tão bem, e é tão fácil lembrar: a mão do homem abrindo o portãozinho de ferro para que nós saíssemos. Depois eu vi o seu cabelo molhado, e ao mesmo tempo ainda dissemos um para o outro que precisávamos ter muito cuidado com cabelos molhados, e pensamos vagamente em secá-los, mas continuava a chover. Estávamos tão molhados que era absurdo pensarmos em sairmos da chuva. Às vezes, penso se não cheguei a estender uma das mãos para afastar o cabelo molhado da sua testa, mas depois acho que não cheguei a fazer nenhum movimento, embora talvez tenha pensado.

Não consigo ver mais que isso: essa é a lembrança. Além dela, nós conversamos durante muito tempo na chuva, até que ela parasse, e quando ela parou, você foi embora. Além disso, não consigo lembrar mais nada, embora tente desesperadamente acrescentar mais um detalhe, mas sei perfeitamente quando uma lembrança começa a deixar de ser uma lembrança para se tornar uma imaginação. Talvez se eu contasse a alguém acrescentasse ou valorizasse algum detalhe, assim como quem escreve uma história e procura ser interessante – seria bonito dizer, por exemplo, que eu sequei lentamente seus cabelos. Ou que as ruas e as árvores ficaram novas, lavadas depois da chuva. Mas não direi nada a ninguém. E quando penso, não consigo pensar construidamente, acho que ninguém consegue. Mas nada disso tem nenhuma importância, o que eu queria te dizer é que chegando na janela, há pouco, vi a chuva caindo e, atrás da chuva, difusamente, uma roda-gigante. E que então pensei numas tardes em que você sempre vinha, e numa tarde em especial, não sei quanto tempo faz, e que depois de pensar nessa tarde e nessa chuva e nessa roda-gigante, uma frase ficou rodando nítida e quase dura no meu pensamento. Qualquer coisa assim: depois daquela conversa – depois daquela nossa conversa na chuva, você nunca mais me procurou.

Por Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Eu preciso andar um caminho só…

É sempre assim. E eu nem sei porquê isso acontece. Juro. Eu queria tentar de verdade. Queria ter coragem pra deixar as coisas acontecerem, mesmo que essas coisas não sejam exatamente boas. Elas seriam reais, pelo menos… não seriam essa coisa que nem ao menos é. Porque não é. Isso não é nada que eu consiga entender. E eu não gosto disso.

Não, eu sei que não é exatamente tua culpa. Não que tu também não tenhas culpa. Tu tens. Mas eu complico. Eu sou doida mesmo. Morro de medo, e nem ao menos consigo assumir isso. E já me acostumei tanto a fingir que não me importo, já fiz o papel por tanto tempo, que até eu acredito. Nem mesmo consigo enxergar o que escondo de mim mesma. Essa é a questão.

Eu já não sei mais o que é verdade e o que eu invento. Já to nessa porcaria de círculo vicioso há tanto tempo, que já não sei mais o que é real. Não sei se a verdade é que eu te amo. Não como eu sempre te amei. Amor de Amor, mesmo. De mãos dadas. De abraço que conforta. De me sentir só, e não querer nada além de ti. Mas também não sei se eu te amo assim por me sentir só, e só conseguir ver a solução disso em ti, e aí não precisar de nada além de ti.

E, enquanto eu penso nisso, bate o desespero. A covardia. Porque se eu preciso de ti, eu não posso te ter. Porque eu sou incapaz de precisar e me permitir. Porque isso dói, sabe? Precisar faz mal. Aí eu sofro. E isso também dói. Então eu passo dias sem querer te ver, pra me acostumar com o fato de não te ter. O ser humano é facilmente condicionado, como a gente sabe. Então eu resolvo me desacostumar, não gostar tanto da tua presença. Logo tudo em ti me irrita, e eu não quero mais ir onde eu possa te encontrar.

Mas isso é impossível. Invariavelmente, eu acabo te encontrando. E estar contigo por algumas horas me faz lembrar que tu não me irritas coisa nenhuma. E eu volto a te amar daquele jeito de sempre. Aquele do início de tudo, quando não era complicado, lembra? E eu volto a me sentir confortável ao teu lado. Aquele conforto que eu só pareço sentir contigo. De besteiras naturais e sorrisos fáceis. Volta a ser naturalmente… fácil. Como se tu fizesses parte da minha vida da uma forma tão natural, que seria inconcebível se fosse diferente.

E aí eu me sinto só, e volto a te amar do jeito que me dá medo. Ou eu volto a te amar de Amor, e me sinto só, e acabo ficando com medo. Não sei. Viu? É disso que eu to falando. Eu não sei o que é isso. E já faz um tempo que eu não faço a menor ideia do que seja isso. E, caramba, eu to realmente cansada de não saber. Porque não adianta eu ficar dizendo que tu és uma coisa, se essa coisa é só uma parte desse tudo que não sei o que é. E eu queria definir essa coisa. De uma vez, sabe? Porque eu não gosto do cacete desse não saber. De não ir, nem ficar. De ter e não ter. E, na verdade, não ter porra nenhuma. Porque, na verdade, na verdade mesmo, não importa em que fase dessa coisa eu esteja, eu to sempre só.

*  * *  * *

Só podia sair algo assim de um texto escrito ao som de Los Hermanos, álbum Quatro…

Primeiro Andar – Los Hermanos

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Blind date às avessas

Os finais de semana de julho, aqui em Belém, não são o que a gente pode chamar de “Paraíso do Entretenimento”. A exemplo disso, posso citar que a única rede de cinema da cidade, que aliás é medíocre, inaugurou recentemente a primeira sala de execução em 3D. Pois é, impressionantemente triste, não? Mas, como pouco é melhor que nada, e eu tive que ficar e me virar com as opções da cidade das mangueiras, sábado eu estava lá, vendo Shrek.

Muito bem. Eu sempre fui uma pessoa bastante confortável com a minha condição de solteira, portanto, quando uma amiga me ligou para ir ao cinema com ela e o namorado, aceitei prontamente. Claro que o fato de que eles não são desses casais grude-chengonhengonhengo contribuiu muito para a minha aceitação, mas... Exatamente, tinha um “mas” na história: eu não fui a única amiga convidada para a noite de cinema, existia outro… casal!

Tudo bem, eu posso ser muito moderna e tranquila com a minha solteirice, mas eu nem tenho intimidade com o outro casal!  Confesso que fiquei um pouco nervosa… ansiosa, que seja. Como se eles tivessem arranjado um blind date sem me avisar. Isso não se faz! Pô, não existe um código de conduta a ser seguido, quando a gente leva um amigo solteiro pra algum lugar? E se eles forem do tipo insuportável? Daqueles que todo e qualquer solteiro, por mais bem resolvido que seja, queira enfiar uma bala na sua cabeça, ou na de cada um daqueles seres irritantemente felizes com vozinha de bebê?

Mas eu não me intimido assim tão fácil. Repassei os poucos momentos que tive com o casal em questão, e me convenci de que eles eram satisfatoriamente civilizados. Juntei isso com outras informações que tinha – como os seus 5 anos de namoro –, e concluí que aquela noite não seria um martírio, que poderia ser até interessante. Ora, eu nem teria que interagir tanto com eles. Era um filme, depois que as luzes apagam, conversar é até falta de educação. Então eu fui, despreocupada.

Enquanto estávamos na fila, passei por alguns momentos constrangedores. Como quando encontrei um amigo… com a namorada. E outra amiga… com o namorado. Outros de desespero. Como quando constatei o número absurdamente irreal de casais no recinto. Dia de casal ir ao cinema não é domingo?! Pelamordideus, mundo, vê se colabora! Eu to tentando manter a cabeça erguida aqui, ok? Mas, logo, eu havia superado o desafio da fila, e já estávamos devidamente instalados nas cadeiras do cinema – eu de um lado do casal-amigo, e eles do outro, claro. Mais algumas conversinhas, e a luzes apagaram.

Saindo do cinema, com fome e vontade de comer algo diferente, eu já me resignara com ideia de comer um x-geladeira em casa, enquanto os dois casais discutiam se e onde jantariam. Até que, quando eu menos esperava, o namorado do outro casal disparou a pergunta pra mim: quer ir? Eu gaguejei, claro, fiquei vermelha, e tenho certeza que balbuciei alguma coisa incompreensível ao negar a imposição da minha presença no double date deles.

Quando eu fiquei sozinha com o casal amigo, eles começaram a insistir na ideia do jantar. O namorado-amigo até jogou na minha cara que eu tinha dito que queria jantar no Roxy, e, meu Deus, eu realmente queria! Então fui. E fiquei um pouco tímida quando pedimos mesa pra cinco. Fiz minhas continhas e fiquei um pouco triste quando percebi que não tinha ninguém pra dividir o prato comigo. E fiquei incrivelmente envergonhada quando o namorado-amigo sugeriu que pedíssemos dois pratos e dividissemos por três. Mas foi tudo superado, e eu voltei pro meu conforto solteirístico.

O outro casal se mostrou mais que civilizado. Eles eram até interessantes. Inteligentes, papo bacana, sem chengonhengonhengo. O jantar acabou, a conta foi paga e as despedidas feitas. Voltando pra casa com o casal amigo, o namorado-amigo solta:

- É… até que o Fulano tá mais suportável. Já dá pra passar uma noite bacana com ele…

Ah, então eu tive sorte?

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Os tempos são outros, meu bem.

- Tu és tão legal, que tu viras amiga.

Ouvi isso de uma amiga, uma vez, e fiquei pensando: "como assim?”. Namoradas/gatinhas não são legais? Elas são só menininhas bonitas e femininas, feitas sob medida para que o macho alfa seja o responsável por sua proteção e cuidado? São incapazes de formular frases inteligentes e engraçadas ou rir com o namorado/gatinho por um bom tempo? Caramba, isso é tão século passado!

A meu ver, um gatinho só é gatinho de verdade se me fizer rir. Claro que eu não to procurando um palhacinho de circo pra manter um relacionamento, mas também não tenho tendências "robófilas". Ora, quem quer namorar um cara que não saiba sequer contar uma piada de pontinho? - Tá, piadas de pontinhos são terríveis, mas deu pra entender o meu ponto, não?

Eu não sei o que as pessoas procuram, mas eu não quero alguém que seja simplesmente bonito e másculo. Não sou o tipo clássico de mulher, logo não procuro homem pra fazer o velho "papel de homem", que me proteja das mazelas da sociedade, defenda a minha honra, me banque e me faça pegar cerveja e servir salgadinho pros amigos dele. Foi-se o tempo que isso era ser homem.

Mulher, hoje em dia, se vira muito bem, obrigada, e muito do que a gente espera do sexo oposto é mais pra que eles não se sintam tão desnecessários. Até porque, convenhamos que desnecessários eles não são. É lógico que continuam sendo importantes, mas de outra forma.

Eu não preciso que ele seja de aço, forte e musculoso como o Superman, e sim inteligente. Preciso que a gente venha a somar na vida um do outro. Que ele fale e escreva direito, e seja minimamente educado. Ora, eu sei que as pessoas arrotam, mas precisa executar a Sinfonia nº 27 de Bach no meio do jantar de aniversário do meu irmão? A temporada dos ogros já se foi, há tempos! Sejamos civilizados, sim?

Também não to pedindo um cara que abra a porta do carro pra mim. Isso é muito fácil! O último gatinho que fez isso me largou sem dó nem piedade, simplesmente porque eu não quis dar pra ele (tentem não se ofender com o termo). Então, ao invés de me aparecer vestindo a roupinha de cavalheiro de 1820, tente valer a pena, ok? Isso não é pedir muito.

Agora, sejamos sinceros: "dinheiro é bom, e todo mundo gosta". Mas não, não é necessário que ele seja herdeiro do Eike Batista, e me sustente pro resto da vida. Eu pretendo construir minha bem sucedida carreira profissional e ter meu próprio dinheiro. Mas, também, ele não pode ser um vagabundo esperando ser sustentado. Não sou mãe de ninguém, e meu filho que não se iluda, porque nem ele vai ficar eternamente nas minhas costas. Independência financeira é uma benção, portanto, devidamente abençoado seja.

Por fim, é extremamente importante que os homens entendam: gatinha/namorada/mulher não é serviçal de ninguém. Eu não tenho a menor obrigação de ficar responsável pelo bom atendimento dos seus amigos, quando o meu gatinho/namorado/marido resolve recebê-los para uma maravilhosa partida de futebol. Não to dizendo que sou imprestável ou incapaz de fazer um favor, vez ou outra, mas não me faça de escrava! Eu ajudo, contanto que todo mundo colabore. Portanto, homens, façam o favor de levantar essa buzanfa do sofá e fazer alguma coisa útil, certo?

Então? Deu pra entender? As coisas mudaram, meus queridos. Não pensem que teremos uma vida parecida com as dos nossos avós. Felizmente, pelo menos nessa questão, o mundo mudou pra melhor. Não espero que a mentalidade masculina, no geral, tenha evoluido da mesma forma, mas eu sei que tem aqueles que se salvam. E ainda vou topar com um deles por aí...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

À espera de um Livro.

Quando eu tinha 14 anos de idade, tive meu primeiro contato com o que seria a muito bem sucedida série de J.K. Rowling, Harry Potter. Lembro de ter visto um box com os quatro primeiros livros e uma edição extra do primeiro, em inglês, na casa do meu primo, e tê-los desprezado, pensando "credo, eu não quero ler isso". Minha mãe até perguntou o por que disso, já que eu não tinha o costume de dispensar livro algum. A verdade é que até hoje eu não sei porque os rejeitei dessa forma. Provavelmente, eu não queria ser vista lendo livrinhos de bruxinhos e magia. Tolices de uma aborrecente, claro.

Pouco tempo depois, o primeiro filme foi lançado, e, mesmo tendo feito chacota de algumas amigas quando me chamaram pra ver, acabei indo e, pra minha surpresa, gostando. Mas não foi isso que me fez procurar o livro. Eu nem tinha a intenção de fazê-lo, quando ele veio até mim. Aliás, gosto de pensar que foi o destino quem trouxe o livro pra mim. Como? Uma amiga, que frequentava muito a minha casa, veio passar o fim de semana comigo, e trouxe Harry Potter e a Pedra Filosofal, tecendo vários comentários do quão maravilhoso era o livro.

No início da tarde, ela teve uma crise de cólica tão enlouquecedora, que, além de me fazer chamar a mãe dela pra levar algum remédio milagroso, a fez dormir o resto do dia. Só me restou o Harry de companhia, e eu não pude resistir - como eu disse, dispensar livros não era muito meu estilo. Fui pro quarto da minha mãe, e dei início à leitura que me viciaria de uma forma irreversível. Li sem parar. Até minha amiga acordar, quando fiquei desesperada, pois faltava algo em torno de 1/5 pra terminar o livro, e ela o levaria de mim. Implorei pra que ela o deixasse comigo, com a promessa de devolvê-lo no dia seguinte.

Depois disso, começou o sofrimento. Consegui a Câmara Secreta emprestado. Ganhei o Prisioneiro de Azkaban de aniversário. E, só no Natal, depois de 9 meses de espera, ganhei o Cálice de Fogo. Muito bem, todos os livros publicados, devidamente devorados. E foi aí que eu descobri o verdadeiro significado de "sofrimento" pela espera de um livro. J.K. ainda não havia terminado de escrever a Ordem da Fênix, e eu não aguentava mais esperar que ela o fizesse. Isso sim foi desesperador.

Claro que não terminou aí. Depois vieram os dois anos de espera pelo Enigma do Príncipe, e mais dois por Relíquias da Morte. Foi bem difícil... Mas o que nós, amantes de livros e fãs de Harry Potter, poderíamos fazer, que não esperar? E assim o fizemos. Experimentando momentos de exasperação e expectativa. Revolta e impaciência, seguidos de uma conformidade um tanto rebelde.

Quando a espera por Relíquias da Morte finalmente chegou ao fim, eu tive um bom período de tranquilidade, até janeiro de 2009. Foi quando terminei de ler Eclipse, e tive que esperar uns bons cinco meses por Amanhecer. Mas não é sobre isso que eu quero falar. Não perdendo a minha mania de rodeios e tagarelice, contei toda essa história pra falar do meu mais novo sofrimento: O Nome do Vento, A Crônica do Matador Rei - Primeiro Dia.

Estava eu, passeando pela livraria do aeroporto de Congonhas, na esperança de ocupar as duas horas que me separavam do meu voo de volta pra casa, quando encontrei O Nome do Vento. Eu já sabia que era esse o livro que eu queria comprar, mesmo que nunca tivesse ouvido falar dele. Rodei um pouco com ele nas mãos, dando uma olhada nos outros livros... Mas a verdade é que eu estava com medo de não passar o cartão e ter que deixa-lo lá. Criei coragem, e o cartão passou. E, logo nas primeiras páginas, me encontrei presa nesse mundo criado por Patrick Rothfuss, e as horas passaram. Tanto as de espera, quanto as no ar. Agora não consigo mais largar a história de Kvothe, suas aventuras e infortúnios.

Acontece que, não sei se deu pra notar, mas o subtítulo diz "primeiro dia". Sim, isso significa que, por mais que o tal primeiro dia tenha 651 páginas, ele continua sendo só o primeiro dia! Certo, onde estão os outros dois dias [ao ler O Nome do Vento, você descobre que Kvothe decide contar sua história em três dias]? Comecei a busca pela sequência da trilogia, e acabei dando de cara com a tão temida porta do sofrimento da espera. Pat, como eu descobri ser carinhosamente chamado o já querido autor, ainda está escrevendo "The Wise Man's Fear", também conhecido como "book two". O pior disso tudo? Sem previsão para o seu lançamento!

Pois bem, queridos leitores que não tenham me abandonado depois de tanto tempo, e que tiveram paciência de ler até aqui, hoje começa o meu sofrimento. Tudo bem que descobri ontem, mas, fora o sofrimento antecipado, devo terminar de ler O Nome do Vento essa noite. Se tiver coragem... to com medo de acabar. Mas, quem eu quero enganar? Sou tão descontrolada quando leio algo que gosto tanto, que não tem medo que me detenha. É hoje, mesmo.

A despeito disso, nem pensem em desencorajar! Comprem o livro. Leiam O Nome do Vento. É maravilhoso! Pensando cá com meus botões, imagino que o Ivens iria adorar esse livro. Por falar nisso, alguém tem notícia dele? Como ele pode abandonar a gente desse jeito?

Enfim, já to me perdendo de novo. Não deixem de ler esse livro. Eu mais que indico! =)

Beijos.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Exigências da vida moderna (quem agüenta tudo isso??)

Lembra da história do tempo, a dois posts atrás?

Pois é... Sempre quis postar esse texto.


Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro.
E uma banana pelo potássio.
E também uma laranja pela vitamina C.

Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.
Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água.
E uriná-los, o que consome o dobro do tempo.
Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão).

Cada dia uma Aspirina, previne infarto.
Uma taça de vinho tinto também.
Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso.
Um copo de cerveja, para... não lembro bem para o que, mas faz bem.
O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber.

Todos os dias deve-se comer fibra.
Muita, muitíssima fibra.
Fibra suficiente para fazer um pulôver.
Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente.
E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada.
Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia.

E não esqueça de escovar os dentes depois de comer.
Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições e enquanto tiver dentes, passar fio dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax.
Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai passar ali várias horas por dia.

Tem que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia, mais as cinco comendo são vinte e uma.
Sobram três, desde que você não pegue trânsito.

As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia.
Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar, ou a meia hora vira uma).

E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar delas quando eu estiver viajando.

Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia para comparar as informações.

Ah! E o sexo.
Todos os dias, tomando o cuidado de não se cair na rotina.
Tem que ser criativo, inovador para renovar a sedução.
Isso leva tempo e nem estou falando de sexo tântrico.
Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e espero que você não tenha um bichinho de estimação.

Na minha conta são 29 horas por dia.

A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo!!!

Tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os dentes. Chame os amigos e seus pais.

Beba o vinho, coma a maçã

Agora tenho que ir.

É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que ir ao banheiro.

E já que vou, levo um jornal...
Tchau....

Se sobrar um tempinho, me manda um e-mail.

Luís Fernando Veríssimo.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Nota de Pesar

Não era um dos meus melhores dias. Aliás, podemos estender isso à semana que se passava. Eu havia perdido minha última gota de esperança na realização de um dos meus sonhos, e meu humor estava perigosamente abalado. Sorrir não parecia tão natural, e as conversinhas baratas eram tediosas, quando não irritantes.

Acho que nem preciso dizer como eu me sentia comigo mesma, né? Digam o que quiserem, mas a falta de esperança pode ser o pior dos sentimentos. Ou “não-sentimentos”, o que me parece mais apropriado. Eu fiquei sem perspectiva. Não conseguia enxergar o que viria ou o que fazer. Foi bem difícil...

(...)

Certo, eu tentei escrever isso no passado. Tentei procurar uma forma de transformar essa história em algo menos lúgubre. Tentei encontrar algum consolo em um amor inesperado. Tentei. Não consegui. E a culpa é da esperança, que me abandonou. Foi embora antes de mim. Me deixando aqui, no escuro, sem saber o que fazer.

Não, essa história nada tem a ver com o amor. Não é esse tipo de sonho que me despedaça dessa forma. Afinal, eu acredito em amores. No plural. E o meu sonho perdido não vai se resolver com uma nova alma afim [já comentei aqui sobre a minha teoria de almas afins?]. Eu preciso, mesmo, encontrar minha esperança. Há cinco dias ela fugiu. E eu não sei mais onde procurar.

Acontece que eu vi algo que não desejo a ninguém. Vi um sonho escorrer pelo ralo. Meus planos desmoronarem, como se o Lobo Mau soprasse na porta do meu maldito castelo de cartas. Mas não era o lobo mau. Era pior. Era o mocinho. Logo ele, que deveria ser o responsável por toda a beleza da história...

E eu pude sentir o efeito de cada palavra por ele proferida. A dor física. Incrivelmente palpável. Mas uma dor que eu não sabia onde começava ou terminava. Ardia. E, depois, o nada. O espaço que essa esperança traiçoeira me deixou. Um vazio, preenchido pela desesperança. Uma bola que me mantém ao ponto de me desfazer em lágrimas, a todo instante.

Pude até sentir a preocupação da minha mãe. Notei como ela compreendera meu pesar e procurava me deixar viver meu pequeno luto pessoal. Não sei se ela ainda pode enxergar esse “não-sentimento” nos meus olhos. Não sei se ela tem alguma noção do quanto isso ainda me aflige. Mas eu espero que não. Já basta a minha dor.

E eu sei que tenho tendências dramáticas. Sei que o meu lado Lia pode transformar a morte de uma barata em algo extremamente depressivo. Mas, salvo a minha tentativa frustrada de romantizar esse momento [vide os dois primeiros parágrafos], não é a Lia que vos fala. Sou eu, anonimamente descarregando meus [não]sentimentos, como diria o Ivens, sem pudor. Sem exageros ou fantasias. Minha desesperança me privou de tais artifícios.

Quem disse que a Esperança é a última que morre, não conhecia a minha.

Um desabafo de fim de ano.

                   1PapaiNoelPunk

Eu queria que o tempo não passasse. Que as coisas boas permanecessem como foram, um dia. E que as pessoas não fossem embora. Queria poder reviver meus melhores dias, enchendo um ano inteirinho só deles. Ter sempre meus amigos à distância de alguns minutos. E ter tempo pra eles.

Mas acho que o tempo não foi feito pra isso. Ele aprisiona a gente, tranca e sai correndo. Corre feito louco. Ninguém o alcança. Quando ele quer, ele que nos alcança. Aparece, de repente, e reivindica seus direitos pelo nosso tempo. Como quem diz: eu sou o teu tempo, e quando eu chego, não tem jeito.

Não, não é sobre o fim do nosso tempo que eu quero falar. Eu quero falar do que nos resta. Do pouco tempo que temos, quanto mais tempo passa. Quero falar que, quando a gente é pequeno, os dias são longos, os meses esticados e os anos intermináveis. Quanto menos idade, mais aquelas 24 horas parecem abarcar toda a nossa vida.

Mas o tempo, como ele é, passa. E parece que os dias não tem mais 24 horas. E a gente não entende como espremer um dia em tão pouco tempo. Tem que estudar, trabalhar, cuidar da saúde do corpo e da mente. Tem que estudar mais, pra poder trabalhar mais, e precisar cuidar mais do corpo e da mente.

E, então, quem vive só disso? Onde ficam aqueles amigos que passavam as tardes com a gente? Em que momento do dia eu vou parar pra saber como vão aqueles que passavam tanto tempo comigo? E quando eu vejo meus avós? Que horas, pelo amor dos céus, eu vou passear com meu cachorro? Isso, acima de qualquer coisa, faz um bem danado pra mente. Relaxa, distrai e alegra.

Nossa, eu não sei como cheguei aqui. Também não era isso que eu queria falar, quando comecei a escrever. Eu queria mesmo falar como as pessoas acabam seguindo os seus caminhos, e  da saudade que fica. Sabe? Aquela coisa do último ano do colégio? Aquela pulguinha que fica questionando como vai ser agora que cada um escolheu o seu caminho? Quer saber a verdade? Essa pulguinha é a mais legal de todas.

A gente escolhe, sim, um caminho diferente. Vê os amigos de todo dia tornarem-se amigos de vez ou outra. Mas, quer saber? Amigo amigo não se perde por isso. É meio clichê, mas amigo independe de distância e tempo. Às vezes o contato pode ser quase nulo, e passam semanas, até meses, e a gente sabe que a amizade tá ali.

E viva as fotos! Viva a memória! Viva os sites de relacionamento! Hahaha. Vai dizer que nunca foi no orkut daquele amigo quando bateu aquela saudade? Eu já. Nem que seja só pra dar uma olhadinha. Sem scrap. Sem nada. Só pra lembrar histórias. Sorrir, sentindo aquele aperto misturado com calor que só pode significar bons momentos vividos.

A verdade, é que eu disse tudo isso pra confessar uma coisa: há alguns anos, eu odeio o Natal. A falsidade. A hipocrisia. A confraternização forçada. Só queria presentes. Mas esse ano não. Eu venho contando os dias pra dezembro. Pras festas. Pra reunião. E não, eu não to falando de um natal igual a todos já vividos. Esse ano é diferente.

Esse ano, eu tenho esperado, doente de saudade, o retorno daqueles que foram morar longe. Esse ano, o natal significa o alívio da saudade. O reencontro. Porque o pior não é quando a gente escolhe a faculdade, o curso, o caminho. O “pior” é quando a gente começa a seguir esse caminho. A buscar a vida. Aqui. Ali. E a distância não é mais de minutos. A distância requer aviões. E, mais uma vez, viva os sites de relacionamento! Viva a Internet!

Mas não pensem que eu fico triste vendo meus amigos encontrando seus caminhos. Eu sou egoísta, mas não tanto. Fico feliz, e muito! Quero a felicidade deles tanto quanto quero a minha. E espero um dia encontrar minhas asas, e seguir o meu próprio caminho. Por enquanto, construo. E espero, ansiosamente, por um natal repentinamente promissor.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Rapidinhas da Lia.

Olá, queridos! Cá estou eu, novamente.
E hoje tem:

1- Texto!

No jantar de noivado da Manoela...
- O que tu estás fazendo aqui?
- Conhecendo o imbecil do noivo da minha prima.
- Ela sabe que ele é um imbecil?
- Ainda não.
- E o que tu vais fazer?
- Ainda não decidi.
- Adianta fazer alguma coisa?
- Deixar minha prima cometer o pior erro da vida dela - incluindo o corte que ela resolveu usar em 2004 - é que eu não vou.
- 2004? Era muito ruim?
- Se eu fosse ela, destruía todo e qualquer registro.
- Ugh. Prefiro nem saber.
- Me pergunto se não seria melhor...
- Ah, vai. Dá um desconto.
- E por que deveria?
- Em homenagem aos velhos tempos?
- Como se isso valesse alguma homenagem...
- Não me lembro de te ouvir reclamar.
- E por que reclamaria? Preferi ficar calada, torcendo que tudo acabasse logo. Reclamar só prolongaria a coisa ainda mais.
- Eu, hein. Precisa ser tão dura?
- Ahh, magoou?
- Cínica.
- Burro.
- Burro?
- Tu sabias meu sobrenome. Não desconfiaste nem por um momento que eu poderia ter algum parentesco com a Manoela?
- ...
- Burro.

2-Música!

Simplesmente, não consigo tirar essa música da cabeça.

3- E filme!

Na Natureza Selvagem (Into the Wild)
ano de lançamento (EUA): 2007
direção: Sean Penn
atores: Emile Hirsch, Marcia Gay Harden, William Hurt, Jena Malone, Brian Dierker
duração: 02 hs 20 min
descrição: aqui.

Um filme lindo, com uma trilha sonora demais [com dedos - e voz - do Eddie Vedder]. Nessas horas que eu queria ser uma boa resenhista, pra passar pra vocês o quão bom é esse filme. Dá uma vontade de fazer o que ele fez... uma vontade de viver assim.
Enfim... Recomendo.

;**

domingo, 11 de outubro de 2009

Reconhecimento

Dizem que certas coisas a gente nunca esquece. Quando procurei no Google, o que mais as pessoas parecem não esquecer é do "primeiro-qualquer coisa"... O primeiro porre, encontro, acordo, protótipo... o primeiro "primeiro". Mas e quando a gente teima em lembrar daquilo que ocupa um número qualquer na vida? E quando a gente não esquece aquilo que parecia ser tão facilmente esquecido?

Não, tu não és o meu primeiro "primeiro", nem segundo amor, ou terceiro beijo. Tu és um número qualquer, que o meu corpo teima em não esquecer. Alguém que deveria estar esquecido, mas que a minha mente não me deixa afastar por mais que algumas horas. Que meus olhos parecem ter resolvido ficar em alerta constante pra qualquer sinal da janelinha, no canto inferior direito do monitor. Que faz meu coração me cutucar, como pra me lembrar de tudo isso, cada vez que vejo. E, como se não bastasse, alguém cujas mãos as minhas reconhecem como se fossem uma simples extensão delas.

E eu queria tanto poder ver esse reconhecimento nos teus olhos. Queria sentir que as tuas mãos também se confortam nas minhas. Queria que teu coração dançasse no mesmo ritmo que o meu. Queria entender... Mas não entendo. E tenho medo. Medo que me reconheças. Que eu seja o teu conforto e o teu ritmo. Medo.

Não, eu não quero que tu esperes de mim o que eu espero de ti. Eu não sou pra ti. Eu não sei ser. Por isso distraio minha mente. E desvio meus olhos da tua janelinha. Por isso ignoro meu coração. E escondo minhas mãos das tuas. É puro medo, amor. Eu queria muito nos reconhecer... Me desculpa. Eu queria, mas não consigo.

* * * * *

Escrevi enquanto ouvia, repetidamente:
Alexandre Desplat


e Dario Marianelli

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Das cartas que eu não mandei.


Mais uma vez, eu me pego escrevendo pra ti. Nem sei mais dizer quantos bilhetes e cartas eu já não tenho aqui, guardados, escondidos ou perdidos. Todos com o mesmo objetivo: extravasar meu sentimento, alimentar a estranha necessidade que eu tenho de ti, de falar, ou fingir que falo contigo.

Por vezes, me perguntei se tudo não passou de um fruto da minha imaginação fértil. Se a nossa relação não foi nada além do ordinário, e eu que te pintei e moldei como o melhor amigo que já tive. Sabe... isso é bem possível. Eu sou meio louca, mesmo.

Por outras, eu tentei me apegar às lembranças. Aos nossos momentos, conversas, brigas e pazes. Aí vem o medo. Um medo absurdo, porque, cada vez mais, eu lembro menos. E eu piro! Temo mais ainda ter te inventado. E me desespero por qualquer indício de que aquilo foi real, e, invariavelmente, busco aquela velha folha de caderno. A única prova física da nossa amizade. E é a ela que eu me apego.

Mas isso não me basta. De nada adianta saber que tenhas sido meu amigo. Lembrar de ti não ajuda. Eu ainda preciso de ti, da tua amizade. E dói saber que ela não mais existe. Que tu não és mais o meu amigo, e não estás mais ao meu lado, como deverias. E é por isso que eu odeio estrelas cadentes. Porque tu, minha estrela cadente pessoal, passaste pela minha vida, e caíste longe de mim. Logo tu, que deverias ser a minha estrela da sorte...

Então, quando eu acho que nada pode piorar o vazio da tua ausência, tu me surpreendes. Te vejo ao lado de alguém que já foi tão passado quanto eu, e, ahh.. isso doeu. Doeu, porque, assim como ela, eu te perdi há sete anos, mas só ela te tem de volta. Isso é tão injusto! E eu juro, amigo, eu juro que não quero ocupar o lugar dela, na tua vida. Ela foi, é e pode continuar sendo a tua namorada. Porque eu fui e só gostaria de continuar sendo a tua amiga. Eu só queria o meu lugar de volta... É pedir muito?

Dessa vez, vou ficando por aqui. Até a próxima carta, meu amigo.

Morrendo de saudades, tua eterna amiga,

Lia.

Porque lembro de ti...:

Versão acústica, porque só tenho humor pra isso, no momento.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Baseado em fatos reais


Obs: A escolha da música não é minha. É da vida.


Sentada nas pedras, Luísa nem via ou ouvia o mar. Seus olhos estavam voltados a um passado distante. Fragmentos da vida saltavam a sua frente, nublando toda a beleza da praia diante dela. O único som que ouvia era o de suas recordações. As ondas silenciosas pareciam querer respeitar aquele momento dela... Só dela.

Luísa visitava cada lembrança que julgava tê-la levado àquele momento. Aos 20 anos, quando conheceu, amou e deixou Rodolfo, naquela cidade tão longe da sua. Seus dois casamentos. O primeiro sem amor. O segundo, tão difícil, que fez por diluir o amor que existira. Os três frutos desses casamentos. Suas três razões de vida e fontes de força. Assim como seus três motivos para deixar Rodolfo tantas outras vezes.

Como foi bom reencontrá-lo depois de tantos anos. Como foi providencial que seu trabalho a levasse tantas vezes ao encontro do seu amor. Como foi doloroso deixá-lo todas as vezes... A despedida é sempre muito difícil. Principalmente quando se trata de alguém de braços e coração tão abertos para receber aquela que tanto ali queria estar.

Mas Luísa sabia o que era mais importante para ela. Garantir que seus filhos tivessem tudo o que lhes pudesse oferecer, até que pudessem conseguir por si mesmos, não era apenas uma opção. Era a única opção. E se, para isso, tivesse que abrir mão de seu grande amor, que assim fosse. Nenhum amor era maior que o que tinha por suas “crianças”.

E o tempo, impiedoso e irredutível, passou. Suas eternas crianças seguiram seus caminhos. Com seus próprios amores ou não, foram atrás das pedras com as quais construiriam seus futuros. Sentiu o medo e o orgulho de ver cada um deles indo embora, moldando seu destino. Todos longe dela. Sempre ouvira de sua mais nova que as mães criam os filhos para o mundo, e não para si. Sentiu o peso da verdade daquelas palavras.

Claro que Luísa não se arrependia de qualquer passo que tivesse dado na vida. Havia feito sua escolha conscientemente. Mas nem isso a impediu de sentir o vazio e a dor de se ver só, sem seus filhos...

A essa altura, as lágrimas haviam imposto sua companhia àquela senhora sentada à beira da praia, reforçando a cortina que a impedia de ver toda beleza à sua frente. Ao mesmo tempo, ouvia os passos que esperava.

- Triste, meu grande amor? – perguntou ele, colhendo suas lágrimas.
- Transbordando felicidade. – respondeu Luísa, olhando para aquele rosto envelhecido e lindo que tanto amava, e sentindo o prazer de tê-lo tão perto e tão seu. – Foi difícil, não foi?
- Ah, minha grande Luísa – começou Rodolfo, aninhando seu velho e eterno amor nos braços – eu faria até o impossível pra chegar aqui.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Selo, Mombojó e Justificativa.

Como já diria nosso amigo Jack: vamos por partes [Tá, eu não resisti. Precisei dizer isso. Foi mal =xx].

Primeiro, eu gostaria de informar-lhes que, sim!, o Maravilhoso Mundo de Lia recebeu o seu segundo Selo! Foi um presente dado pela Bêe Rodrigues, do Querido Diário. Muito obrigada, Bêe!



Eu confesso que criei o MML pra mim, pseudônima-aspirante-a-blogueira. Um espaço meu, pra mim mesma. E é tão bom ver que esse meu pequeno mundinho agrada vocês. Dá um orgulho danado de ver minhas palavras e ideias, meu interesses e gostos sendo apreciados.
Prometo me esforçar pra fazer esse espaço ficar cada vez melhor. xD

Meus indicados são:

Resenhas Íntimas
Pá Trakuilo
Nada se cria... Tudo se copia

Pode ser só três? To tão sem coragem, hoje... [vide final do post]

* * * * *

Agora, mais música!
Meus queridos, apresento a vocês: Mombojó!


Conheci a banda em 2005. Uma amiga, que sempre sabe o que me mostrar [é impressionante como ela sabe o que eu vou gostar], mandou "Adelaide", "O Céu, o Sol e o Mar" e "Deixe-se Acreditar". Por isso fiquei entre essas três músicas, na hora de escolher o vídeo que vinha pra cá.
Como "Deixe-se Acreditar" representou muito bem a minha vida, no final de 2005/início de 2006, ganhou. :}
Enfim, pra quem não conhece, não perca mais tempo! Pra quem conhece, aproveite! :D
Aqui, você pode baixar os dois álbuns já lançados.
Divirta-se.

Nada de Novo (2004)
1. Cabidela
2. Deixe-se acreditar
3. Nem parece
4. Discurso burocrático
5. A missa
6. Absorva
7. O céu, o sol e o mar
8. Adelaide
9. Duas cores
10. Estático
11. Merda
12. Splash Shine
13. Faaca
14. Baú
15. Container


* * * * *

Por fim, quero dizer que to doente.
Já tenho um texto quase pronto, numa folha de papel. Mas ainda não tive forças pra digitar (já sou a preguiça em pessoa, doente então!).
Fora que esse post já tava quase completo, né?
Prometo que o próximo será um texto meu. =)

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Homens Com Barriga

O texto de hoje não é meu.
Recebi por e-mail. Aliás, do meu pai (deve ser porque ele tem uma senhora barriga).

Enfim. Segundo as informações do e-mail, o texto é de Carla Moura (Psicóloga, Especialista em Sexologia e Terapia de Casais).

Vamos ao que interessa.

Meninas de todo o Brasil, tenho um conselho valioso para dar aqui: Se você acabou de conhecer um rapaz, ficou com ele algumas vezes e já está começando a imaginar o dia do seu casamento e o nome dos seus filhos, pare agora e me escute!

Na próxima vez que encontrá-lo, tente (disfarçadamente) descobrir como é sua barriga. Se for musculosa, torneada, estilo 'tanquinho', fuja! Comece a correr agora e só pare quando estiver a uma distância segura. É fria, vai por mim. Homem bom de verdade precisa, obrigatoriamente, ostentar uma barriguinha de chopp. Se não, não presta.

Veja bem, não estou falando daqueles gordos suados, que sentam horas na frente da televisão com um balde de frango frito, e que, quando se abaixam, mostram aquele cofrão. Não!

Estou me referindo àqueles que, por não colocarem a beleza física acima de tudo, acabaram cultivando uma pancinha adorável. Esses, sim, são pra manter por perto.

E eu digo por quê. Você nunca verá um homem barrigudinho tirando a camisa dentro de uma boate e dançando como um idiota, em cima do balcão. Se fizer isso, é pra fazer graça pra turma - e provavelmente será engraçado, mesmo. Já os 'tanquinhos' farão isso esperando que todas as mulheres do recinto caiam de amores - e eu tenho dó das que caem.

Quando sentam em um boteco, numa tarde de calor, adivinha o que os pançudos pedem pra beber? Cerveja! Ou Coca-cola, tudo bem também. Mas você nunca os verá pedindo suco ou coca-light. Ou, pior ainda, um copo com gelo, pra beber a mistura patética de vodka com 'clight' que trouxe de casa. E você não será informada sobre quantas calorias tem no seu copo de cerveja, porque eles não sabem e nem se importam com essa informação.

E no quesito comida, os homens com barriguinha também não deixam a desejar. Você nunca irá ouvir um 'ah, amor, 'Quarteirão' é gostoso, mas você podia provar uma 'McSalad' com água de coco'. Nunca! Esses homens entendem que, se eles não estão em forma perfeita o tempo todo, você também não precisa estar. Mais uma vez, repito: não é pra chegar ao exagero total e mamar leite condensado na lata todo dia! Mas uma gordurinha aqui e ali não matará seu relacionamento.

Se ele souber cozinhar, então, bingo! Encontrou a sorte grande, amiga. Ele vai fazer pra você todas as delícias que sabe, e nunca torcerá o nariz quando você repetir o prato. Pelo contrário, ficará feliz.

Outra coisa fundamental: homens barrigudinhos são confortáveis! Experimente pegar a tábua de passar roupas e deitar em cima dela. Pois essa é a sensação de se deitar no peito de um musculoso besta. Terrível!!!

Gostoso mesmo é se encaixar no ombro de um fofinho, isso que é conforto. E na hora de dormir de conchinha, então? Parece que a barriga se encaixa perfeitamente na nossa lombar, e fica sensacional.

Homens com barriga não são metidos, nem prepotentes, nem donos do mundo. Eles sabem conquistar as mulheres por maneiras que excedem a barreira do físico. E eles aprenderam a conversar, a ser bem humorados, a usar o olhar e o sorriso pra conquistar.

É por isso que eu digo que homens com barriguinha sabem fazer uma mulher feliz!


Complementando, ninguém vai querer um Homer Simpson da vida. Mas, fala a verdade, quem encara um Johnny Bravo? Deusulivre!

O negócio é achar o meio-termo.
É, minhas amigas. Boa sorte.

sábado, 15 de agosto de 2009

Tudo Foi Feito Pelo Sol

Decidi que, enquanto não bate aquela inspiração de me arrancar da cama pra escrever [quase todos os meus textos nasceram assim. Inclusive essa ideia nasceu assim], eu vou postar vídeos de música, em sua maioria. Mas também pode rolar qualquer coisa por aqui. =)

O vídeo de hoje é Deixe Entrar um Pouco D'água no Quintal, dos Mutantes


Foi um pouco difícil escolher essa música.
Eu tinha decidido colocar alguma coisa do Tudo Foi Feito Pelo Sol, mas esse álbum é tão foda [nenhuma palavra expressaria o que eu sinto por esse álbum tão bem bem como essa, desculpa], que é difícil pensar em "alguma coisa" pra mostrar. Por mim, colocava todas as músicas aqui.
Ao invés disso, presenteio vocês com a primeira faixa do disco. O resto é com vocês.
E o resto, meus queridos, vale muito!
É o meu álbum-preferido-de-todos-os-tempos, ultimamente.

Tudo Foi Feito Pelo Sol (1974)
1. Deixe Entrar um Pouco D’Água no Quintal - 5:03 - (Sérgio Dias / Liminha / Rui Motta)
2. Pitágoras - 6:56 - (Túlio Mourão)
3. Desanuviar - 8:13 - (Sérgio Dias / Liminha)
4. Eu Só Penso em te Ajudar - 4:58 - (Sérgio Dias / Liminha)
5. Cidadão da Terra - 5:35 -(Sérgio Dias / Liminha)
6. O Contrário de Nada É Nada - 2:58 - (Sérgio Dias / Túlio Mourão)
7. Tudo Foi Feito Pelo Sol - 8:46 - (Sérgio Dias)


Não tem o Tudo Foi Feito Pelo Sol? Quer baixar?
Clicando aqui, você vai pro RapidLibrary, um serviço que faz busca pelos arquivos hospedados no RapidShare.
Eu sei, eu sei... De nada. Hehehehehe :}

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O Rei do Artifício

E então, depois de semanas sem notícias tuas, eu te encontro. Sem querer. Sem prever. Te vejo, e rápido desvio o olhar. Mas não a tempo de desviar o caminho. Tento ignorar o palpitar desenfreado do meu coração. Vou ao teu encontro. Evito teus olhos. Tu me abraças. E fica difícil, estando ali, lembrar os motivos pra não acreditar naquele abraço. Começo a pensar no quanto quis que fossem abraços sinceros. E antes de me perder por esse caminho, consigo me desvencilhar dos teus braços.

Ainda com medo dos teus olhos, digo qualquer coisa sobre sair dali, fugir de ti. Não, tenho certeza que não disse isso. Espero ter dado uma desculpa convincente pra não ficar ali, e me perder nas tuas mentiras. E, lutando contra essa força que não consigo entender de onde vem, me afasto de ti. Mas a força não me deixa. Indica a tua direção pra cada célula do meu corpo. Meu GPS biológico concentrado em ti.

Tento me enganar, fingindo que o longe é o que quero. Meus olhos me traem, à tua procura. Busco motivos pra diminuir a distância. O suficiente para, ao menos, te ver. Engano-me, mais uma vez, convencendo-me de que isso me bastaria. Brigo comigo. Qual o sentido em evitar que tu me enganes, se eu mesma não canso de fazer isso comigo?

Mantenho a distância. E o sorriso, praqueles que mal percebo ao meu lado. Acompanho conversas, sem notar. Meus pensamentos me levam pra onde tu te encontras. Odeio meus traidores olhos. Canso de lutar contra mim mesma. Deixo que meu corpo me guie. Finalmente, te encontro.

Te olho, de longe. Ignoro todo o resto. Desisto dos sorrisos. Das conversas. Só te vejo. Procuro qualquer motivo pra acabar com aquele resto de distância. Maldigo tudo que ousa nos separar. Invejo aqueles que podem te tocar. Desejo que tu me procures. Sinto a dor de lembrar que só eu te procuro.

Concentro-me nos sorrisos e conversas. Tento te guardar no fundo dos meus pensamentos. Em vão. Não parece haver mais espaço em minha cabeça, que não pra ti. Resolvo, mais uma vez, te deixar dominar minhas ideias. Acabo ao teu lado, ainda sem coragem de encontrar teu olhar. Finjo que aquela proximidade nem chega e se fazer perceber. Atuo. Consigo sorrir e conversar com todos. Menos contigo.

Te perco. Disfarço meu desespero por ti. Retomo as conversas. E, do nada, como para me pegar em uma armadilha, tu surges na minha frente. Teus olhos conseguem me prender. Não sei mais o que ou com quem falava. Repito uma palavra qualquer, para uma pessoa qualquer. Como um eco de uma frase perdida. E teu olhar promete tudo. E eu esqueço que tais promessas nunca foram cumpridas. Esqueço que elas duram uma noite e me atormentam por semanas. Então, como uma criança, apego-me ao teu olhar de promessas com todas as minhas forças. E me perco.

Eu queria tanto entender como tu consegues mentir tão bem com os olhos...