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terça-feira, 29 de março de 2011

Rebeldias à parte…

- Eu cheguei a acreditar que isso não existia… ou que pelo menos não existiria pra mim, porque eu via as outras pessoas vivendo isso, mas resolvi acreditar que eu simplesmente não nasci pra isso, que eu não merecia, por alguma razão cósmica ou não, ser feliz com alguém. Tava realmente desacreditada.

- Não fala besteira, Li.

- É sério. Eu já tinha me conformado com a minha condição de solteirona, aquela que toda a família olha meio torto, se perguntando o que realmente acontece na vida daquela pobre prima solitária… “certeza que ela é sapata!”… “deve dar pra todo mundo escondida”… eles imaginam de tudo, eu sei.

- Lia, quanto absurdo… quer parar de pensar em tanta bobagem? Essa tua cabecinha não tem limites, mesmo. Tenta desligar isso, e presta atenção no filme.

- Não, Caio, tu não estás entendendo. Eu realmente achava que tava fadada ao solteirismo eterno. Eu acreditava piamente que todos os péssimos “não-relacionamentos” que eu tive eram exatamente aquilo que eu merecia, e que eu os mereceria para todo o sempre. E isso aqui é tão diferente! Nunca pensei que isso poderia acontecer de verdade. É maravilhoso! Sabe? É uma coisa que eu nunca senti antes, é uma sensação de bem-estar, de paz e tranquilidade, mas também de uma ansiedade prazerosa… eu nunca achei que isso fosse possível! Sempre foi uma agonia, uma incerteza… ou até mesmo uma certeza do pior. Isso aqui é completamente diferente… É confortável, sabe? Tu estás entendendo o que eu to querendo dizer?

- To, Lia… E eu também te amo.

terça-feira, 22 de março de 2011

Romantismo à parte…

- Eu sempre lembro de ti quando ouço essa música…
- Então essa é a nossa música?
- Não foi isso que eu disse.
- Mas faz sentido.
- Explique-se.
- Eu penso em ti quando ouço “Life is Hard”, por causa daquela época… A gente perdeu tempo… Eu não via isso antes, mas acabei percebendo que não adianta me enganar, que a gente tem que ficar junto.
- Mas a gente nem tá junto…
- Lia, tu estás nua na minha cama, comigo, que estou igualmente nu, e essa não é a primeira nem décima vez que isso acontece.
- E daí?
- Isso não quer dizer que a gente tá junto?
- Não, isso quer dizer que a gente tá transando com frequência.
- Pô, Lia, tá de sacanagem, né?
- Não, pô! Se eu bem me lembro, faz sete meses que tu me pediste desculpa por me ver só como amiga, quando eu tava na tua frente, aos prantos, implorando que tu me amasses, e agora me vem com esse papinho!
- Papinho!? Eu to te dizendo que fui um imbecil por não ter visto antes, mas que agora vejo o quanto gosto de ti e quero ficar contigo, e tu dizes que eu to de papinho?!
- E não é papinho?
- Não. Eu quero namorar.
- Tu queres namorar?
- Quero.
- Desculpa, mas assim como tu vias uma coisa antes, e agora vês outra, eu também vejo. Eu passei semanas evitando meus amigos, porque eu sabia que tu estarias entre eles. Eu não conseguia pensar em ti sem chorar por três dias seguidos, depois que tu me fizeste acreditar que eu não passava de uma amiga pra ti. E eu acreditei. Agora quem te vê assim sou eu.
- Transando comigo?
- Tu não ficavas comigo e me vias como amiga? Acho que agora é minha vez.



* * * * *

Eu não gosto dessa versão, mas só encontrei essa aproveitável.
Paciência...

f.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Afinal, o que é isso?

- Oi. – diz ela, entrando no carro.
- Oi, tudo bem?
- Uh-hum, e contigo?
- Cada vez melhor.
- Isso é bom. Aonde a gente vai?
- Tu decides.
- Hum, cadê o resto dos amigos?
- Hoje, seremos só você e eu.
- Certo... E a gente quer o quê?
- A gente quer o que tu quiseres.
- Bruno.
- Quê?
- O que tu queres?
- Já disse, tu que sabes.
- Eu não to falando do lugar que a gente vai.
- Hum… Não?
- Não.
- Então sobre o quê?
- Sobre o que tá acontecendo. Eu to interpretando as coisas de uma forma, e quero saber se posso continuar assim, ou se devo parar de levar tudo o que tu dizes pro lado que eu quero.
- E que lado é esse?
- Acho que to distorcendo as coisas, mas...
- Mas...?
- Mas esquece. Vamos pro Old School. Hoje é dia de Beatles.
- Lia.
- Hum?
- Mas?
- Ok, é melhor resolver isso logo, né? Odeio ficar nessa dúvida, alimentando algo que talvez nem exista. Se é pra saber, é melhor que eu saiba de uma vez.
- Lia, tu estás tagarelando.
- Ai, eu sei. To nervosa.
- Por quê? - e ele leva a sua mão pra dela.
- Por isso.
- Isso o quê?
- Isso! - sacudindo as suas mãos unidas, fazendo com que ele retire a sua mão.
- Desculpa, não sabia que te incomodava.
- Não incomoda - e busca a mão dele novamente -, só me deixa mais confusa... E eu só queria saber o que significa...
- É essa a questão?
- É. O que isso significa?
- Se eu disser mais uma vez que tu decides, eu corro algum risco de morte?
- Hahahaha, talvez. Porque eu quero que tu decidas o que tu queres.
- Então eu quero isso.
- Isso o quê?
- Isso. - puxando-a para si, buscando a sua boca, mostrando e reclamando o que quer. E ela permite, afinal, era exatamente isso que ela queria.

Quem quer saber onde se vai, quando quem está justamente onde deveria estar?

 

domingo, 27 de junho de 2010

Era u… a minha vez.

Desacreditada. Era assim que me sentia depois de tanto tempo sem encontrar alguém que valesse à pena. A verdade é que eu tava cansada de tanta insignificância. Já esperava algo mais havia um bom tempo, mas esse “mais” parecia que não tinha a menor vontade de vir. E eu cansei. Já não procurava. Nem esperava… simplesmente seguia com a vida. Saia, ria, brincava e voltava pra casa, sem pensar em como aquela noite poderia – ou deveria? – ter sido bem diferente.

Por muito tempo, eu me perguntei se o problema tava em mim. Afinal, o que eu tenho de errado? Bom, talvez eu fosse errada mesmo. E não tinha mais vontade de inventar desculpas para minhas noites sozinha. “Eles tem medo de minha independência e segurança”, “eu intimido as pessoas”, “eu sou muito alta”. Desculpas. Eu podia até não querer pensar assim, parecia psicologia barata aplicada pelas amigas, mas eu sou muito praqueles que tinham passado pela minha vida. Pra quê negar?

Pessoas vazias. De algum modo, vazias. Eu sabia que não era exatamente o que precisava, mas teimava em dar uma chance. Às vezes duas, três… Por que não ver o que acontece? E eu sabia muito bem o que aconteceria, mas sempre esperava pra ver. O fim. Aquele completamente desnecessário. E seguia tentando me agarrar aos restos e migalhas daquilo que desejava tanto que fosse o que procurava. Enganando-me, descaradamente. Até que cansei. Desacreditei. E, lógico, perdi um pouco do brilho, sabe? Da vontade. É triste sentir que nada adianta…

Mas foi assim, nessa confusão de sentimentos, que eu te encontrei. Foi estranho pensar que finalmente poderia ser a minha vez. Depois de tanto tempo vendo e aconselhando os outros, ponderando e imaginando o que eu faria se fosse a minha vida, a minha história de amor, cheia de altos e baixos, como toda boa história deve ser. E eu pensei “e agora? O que eu faço?”. O medo que senti, nem consigo descrever... Fiquei apavorada. Quase me escondi em casa, e esperei passar. Mas como fugir de ti?

E é engraçado sentir que tu és justamente o que eu queria, até porque eu nem me lembro de pensar em como tu serias. Logo tu. Mas é tão fácil. É simplesmente claro ver o quanto cada detalhe teu encaixa perfeitamente com aquilo que me falta. A tua calma, teu jeito caladão. Sempre tentando ser justo, evitando julgar os outros. Correto, com a pitada quase certa de loucura. Como eu nunca tinha visto isso? E pensar que eu só te achava bonito… Talvez tenha sido aquele velho preconceito que tu falaste. Mas que culpa eu tenho se as minhas experiências me ensinaram a desconfiar do bonito?

Mas, quer saber? Ainda bem. Ainda bem que eu tenha passado por tudo o que passei. Ou que eu não tenha te visto antes. Talvez eu tivesse feito besteira. Talvez, se eu não pensasse como penso hoje, eu teria te deixado passar. E talvez, por isso, eu não estivesse vivendo a minha, finalmente minha, história de amor. E eu nem quero saber o que vai acontecer amanhã. Pela primeira vez, eu não me preocupo em fazer projeções. Não quero pensar no que pode vir, porque isso não me importa. O que eu tenho agora me basta.

* * * * *

Incubus – Wish You Were Here

domingo, 23 de maio de 2010

Vai sonhando...

Ouvindo: Norah Jones, Feels Like Home

Desde pequena, Lia sonhava acordada. Não importava a confusão que estivesse o mundo, Lia sonhava. Sempre que deitava a cabeça no travesseiro, antes mesmo de fechar os olhos, já se via em outra história, em outra vida. Ou mesmo sem deitar, sem travesseiro, sem conforto, não importava, sonhar era a palavra de ordem, bastava acordar. Afinal, seus sonhos ao dormir, nada eram quando comparados com seus loucos devaneios.

Sonhava de tudo e com tudo. Em viver nos mares, ser sereia, com seu príncipe encantado que não era humano, mas um belo tritão. Sonhava ganhar os céus, sair pela janela do quarto e voar até a escola, onde tudo era divertido. Sonhava ser amiga do Gasparzinho, e ficar com o Devon Sawa no final do filme. Sonhava com a visita de uma coruja, descobrir que era uma bruxa, estudar em Hogwarts, e ser amiga do Harry, claro.

O tempo passava, e Lia ainda sonhava. Fez intercâmbio nos Estados Unidos, onde conheceu Matthew, seu melhor e mais amado amigo imaginário, que morreu em um acidente de carro, e Lia, acordada, chorou sua perda. Sofreu por seu inventado amigo, que mesmo após a morte, voltou pra visitá-la. Ora, o sonho era dela, ele voltava quantas vezes ela quisesse, sem contar que ele prometeu que não a deixaria...

Já morou na Califórnia, onde dividiu apartamento com Josh Hartnett, e foi amiga do Chad Michael Murray, vivendo um triângulo amoroso digno de Hollywood. Teve um pequeno apartamento em Londres, trabalhou num coffee shop, e acabou numa conturbada relação com o Príncipe Harry. Já impressionou Jude Law, e teve um caso com Johnny Depp.

Já casou com o surfista dos seus sonhos – mas esse não era imaginário, era real, porém inalcançável. Conquistou seu primeiro amor platônico. Foi traída, e deu a volta por cima. Vivenciou as mais hilárias aventuras, e passou pelos mais dramáticos momentos. O seu humor ditava o rumo dos sonhos. Perdeu o controle. Manteve o controle. Quebrou todo o quarto. Correu na praia, na chuva, no campo, feliz, com ele. Fez de tudo, mas não fez nada.

Imaginação, Lia tinha. Andar por todos os cantos do mundo, ela conseguia, mesmo que sentada na cozinha de casa. Mas a vida... essa não era tão fácil. Essa era bem difícil de controlar. E Lia passou a fugir pros sonhos, que ficavam cada vez mais embaçados. Ela não conseguia mais se ver longe. Não encontrava mais conforto nos encantos da sua mente. Lia estava cansada. Não encontrava mais combustível para os sonhos. E eles acabaram. Lia não mais sonhava.

Perdida, sem raízes ou planos, Lia vendeu o que tinha, botou uma mochila nas costas, juntou seus sonhos, escolheu o primeiro destino e, enfim, saiu pra vida.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Autossabotagem

Lia era uma menina tímida e nada comum. Não por fora, mas por dentro. Sua aparência, sim, era normal. Estatura média. Cabelos rebeldes e olhos curiosos, tudo com uma cor de chocolate ao leite derretido. Nem gorda, nem magra. Normal. Mas sua personalidade... Era bem difícil encontrar alguém que a pudesse entender.

Talvez nem fosse por falta de tentativa. Tinha algo em Lia que realmente aproximava as pessoas. Mas ela não se mostrava facilmente. Como eu disse, ela era tímida. Muito tímida. E, por conta disso, disfarçava essa timidez com sorrisos e atrevimentos - estes últimos, nem sempre bem recebidos. Assim era mais fácil. Como uma capa protetora, evitando que qualquer um entrasse e fizesse o que bem entendesse.

Quem visse Lia, deparava-se com uma garota alegre, segura e autosuficiente. Sempre disposta. Raramente intimidada. Ninguém podia realmente enxergar seus momentos de tristeza e insegurança. Ninguém sabia o quanto se apoiava e encontrava força em seus amigos. Muitos sentiam-se intimidados por ela. Poucos conheciam suas fraquezas.

Não que tudo fosse uma farsa. Lia possuía um pouco de cada dentro de si. Força e fraqueza. Timidez e segurança. Medo e coragem. Era apenas uma questão de escolha do que mostrar. E ela só mostrava as partes que lhe convinham. Raros eram aqueles que conheciam Lia como um todo. E ela adorava fingir que nem esses podiam ver o que escondia.

Mas algo estava errado, e ela podia sentir isso. Por mais que tivesse... medo, Lia queria que a conhecessem. Queria alguém que a entendesse, e gostasse do que visse. Ansiava por alguém com quem dividir o seu todo. Sem restrições. E estava cansada de ver o quanto as suas próprias barreiras anulavam qualquer chance disso acontecer.

Lia queria alguém.

Mas Lia não sabia como manter esse alguém por perto...

* * * * *

PS: Foi difícil usar esse título. Ainda não me acostumei com esse novo acordo ortográfico. :S

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Contando com o Tempo

Sentada em uma das cadeiras de plástico da churrasqueira do seu prédio, Lia esperava Daniel. Diferente de todas as vezes que fizera isso, a angústia e tristeza que anteviam aquele encontro a dominavam. Ela engolia em seco, tentando fazer com que aquele nó da garganta descesse goela abaixo de uma vez por todas. E quando Daniel surgiu pela entrada da área da piscina, inquieta, Lia tentou controlar as emoções, disfarçar a dor que sentia e esconder o amor que relutava em se esvair.
Sem dizer qualquer palavra, Daniel aproximou-se, puxou uma cadeira, colocando-se de frente para ela, deu um beijo em sua testa e sentou-se, igualmente tenso. Parecia pronto para falar, mas olhava Lia como quem não ousasse fazê-lo sem sua permissão. Ela, por sua vez, ainda não sabia se estava preparada para ouvir o que ele tinha a dizer. A única certeza que tinha era o desejo de que tudo acabasse logo, e ela pudesse retornar à confortável solidão do seu quarto.
Ele puxou o ar como quem vai começar um difícil discurso, mas Lia o interrompeu.
- Tu preferes falar primeiro? Ou queres que, antes, eu diga o que to sentindo?
- Acho que tu deves falar primeiro...
- Certo... Eu vou tentar ser direta, e te peço pra esperar que eu termine. Eu prometo ouvir tudo o que tu tens pra dizer, mas, por favor, me ouve até o fim, tá?
Ele aquiesceu.
- Eu queria que tu entendesses que eu sei que a gente não tava namorando, mas isso não me impediu de me sentir traída. A ausência de um rótulo de namorada não diminuiu a dor que eu senti, quando te vi ali. Não posso falar por ti, nem sei como tu te sentias ou o que pensavas em relação à gente, mas eu tava contigo. Única e exclusivamente contigo. Então, mesmo que inconscientemente, eu esperava o mesmo de ti, Daniel... Não quero que me entendas mal, eu não ficava por aí fantasiando a nossa relação, mas é natural que a gente espere do outro quase exatamente aquilo que a gente oferece. E por mais que não tenha sido de caso pensado, eu te ofereci um comprometimento sem tamanho, como nunca tinha sido capaz de oferecer. Por isso eu não consigo entender, sabe? É aí que tudo fica confuso, porque eu não vejo o que te levou a fazer isso. A mentir, me evitar e me trair um dia depois de tudo aquilo que foi dito. E eu nem consigo me decidir se eu quero mesmo saber o porquê disso tudo...
De cabeça baixa, Lia não conseguia mais organizar os pensamentos diante de tanta confusão sentimental. Não queria mais olhar praqueles doces olhos castanhos traidores. Mais que tudo, queria não lembrar mais nada.
- Lia... – ele esperou, ela não levantou a cabeça, mas também não interrompeu. – por favor, não fala no passado. Eu sei que errei, mas to aqui pra resolver isso. Não quero que esse seja o fim... Eu pensei que tu tivesses aceitado essa conversa como uma forma de colocar tudo pra trás, mas ta parecendo que esse “tudo” também significa a gente. Não faz isso. Me perdoa. Me dá mais uma chance. Eu quero ser teu namorado, com rótulo, compromisso, tudo. Tu não queres ser minha namorada?
- Queria...
- Não, não fala assim. Caramba, como eu pude ser tão imbecil? Nem eu sei o que me deu na cabeça. Acho que me apavorei. Foi tudo tão rápido... Eu não esperava conhecer alguém, muito menos me apaixonar desse jeito. Em um dia eu me vi completamente encantado por ti, e em uma semana eu já te queria perto de mim, participando da minha vida. Em um mês... Não foi um processo. Foi um atropelo. E, eu sei, a culpa não é tua. Nem sei se existe culpa pra uma paixão... um amor desse tipo! E isso me apavorou. Eu não sabia o que tava fazendo, mas fui um idiota por arriscar tanto por nada. Desculpa, Lia. Me perdoa. Eu fui um idiota, uma criança. Deixa eu te provar que sou mais que isso. Deixa eu tentar ser o cara que tu mereces.
Ao levantar os olhos pra ele, viu o reflexo de suas próprias lágrimas no rosto daquele que tanto amava. Por que tinha que ser assim? Ela podia ver a dor dele. Podia ler em cada traço de seu rosto toda a verdade daquelas palavras. Mas e a dor dela? E todas as lágrimas derramadas por culpa dele? Poderia ela esquecer? Perdoar? Confiar de novo?
Ela esticou a mão, enxugando as lágrimas dele. Passou os dedos pelos cabelos dele, parando na nuca. Aproximou-se devagar, tentando entender o que seus olhos diziam. A mão desceu o pescoço e subiu para a bochecha, repousando ali. E ele fechou os olhos, sentindo, esperando. E ela o beijou, bem de leve. Mas foi o suficiente. O medo tomou conta. A dor gritou. E Lia se afastou.
- Não dá... Eu não consigo. Não agora.

terça-feira, 9 de março de 2010

Reencontro

Ela estava no saguão do aeroporto, sentada em frente ao portão de desembarque. Estava só, e parecia concentrada, calma e serena. Não fossem os constantes olhares furtivos em direção ao painel de informações, qualquer um diria que ela estava simplesmente ali, sem nada ou ninguém por quem esperar.

Depois de um tempo daquela aparente tranquilidade, pareceu que o painel de informações finalmente dissera o que ela queria, e em poucos segundos ficar sentada já não era mais opção. Ficou em pé, preocupando-se em ter absoluta certeza de que tudo estava em seu devido lugar; a roupa, o cabelo, as próprias mãos, que, nervosas, não sabiam mais o que fazer.

Após um tempo, entre esticadas do pescoço e pontas de pé, na busca daquele por quem esperava, ela enfim revestiu-se da calma que antes transparecia, e sorriu. Um sorriso leve, aliviado. Então, percebendo que ele também procurava, mas ainda não a tinha visto, encaminhou-se para o portão, no intuito de ser encontrada.

Quando ele a viu, e abriu o mesmo sorriso leve que ela estampava no rosto, foi, sem correr, o mais rápido que pode ao seu encontro. A gente não percebe, ou talvez ele e ela nem percebessem a urgência que sentiam pela proximidade, pelo toque. E o encontro teve um vestígio de angustia. Primeiro as mãos se encontraram. E então os abraços e beijos rápidos tomaram espaço. Sempre buscando manter o contato, ao mesmo tempo em que os olhos de um tentavam registrar tudo o que podiam do outro.

Logo o que era urgente passa a ser saboreado. Um abraço longo, de olhos fechados. Sentindo a presença do outro. Ele passa a mão nos cabelos dela, respirando fundo, como provando lentamente o sabor do cheiro dela. Ela, com o rosto escondido em seu pescoço, passeia pelas costas dele, repousando, por fim, suas mãos nos ombros dele, em um aperto forte, de quem não quer ficar longe nunca mais.

 chuvaE separando-se, sem deixar de se tocar em momento algum, com um olhar profundamente íntimo, eles seguem de braços dados, como se fazia antigamente, mas mais leve, mais livre, mais ele e ela.

 

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Resolução

- Oi, sumida.

- Oi, Di. Estás em casa?

- To...

- Vais sair? Posso passar aí?

- Não, não. Não vou sair. Claro, pode vir.

A caminho da casa de Diogo, Lia perdia e encontrava coragem a cada quarteirão, pelo menos três vezes. Pensou em desistir e voltar pra casa. Decidiu seguir em frente. Procurou desculpa pra continuar fugindo. Nenhuma foi suficiente. Tentou se convencer de que nem era isso que realmente deveria - ou queria - fazer. Não deu certo. Então, antes que pudesse se conter, estava na porta da casa dele.

Mesmo ali, Lia não sabia o que fazer. Queria... precisava se acalmar. Respirou fundo. Várias vezes. Nada. O coração continuava a pular enlouquecido em seu peito. As mãos suavam. Uma mistura de ansiedade, aflição e pura covardia percorrendo o corpo inteiro. E, quando ela pensou ter sido derrotada pelo medo, prestes a sair dali decidida a mudar de cidade, se preciso fosse, a porta abriu. Antes que pudesse fazer qualquer coisa, Aline, irmã de Diogo, sorriu para Lia.

- Oi, Lia! Que susto. Hehehe. Não sabia que estavas aí. Tocaste a capainha? Nem ouvi...

- Ahn? Não... eu... er... acabei de chegar. O Diogo tá aí?

- Tá, sim. Entra. Ele tá no quarto dele. Sabes onde é, né? Ah, claro que sabe. Pode entrar. Eu to indo. Tchau, Lia. - despediu-se Aline, deixando Lia em meio ao seu pânico.

Sem mais alternativas, sabendo que Aline comentaria com Diogo que a encontrara na porta de casa, ela entrou. Falou com o cachorro, tentando adiar um pouco mais o momento, e seguiu o caminho para o quarto dele.

- Oi...

- Lils! Ué, não ouvi a campainha...

- A Aline tava saindo, e me deixou entrar. Hum.. E aí? Tudo bem?

- Tudo. Saudades, Lils. Por onde tu andaste? Pessoal te liga, e tu não apareces. Nem me atendes mais. Estás fugindo, é?

- Di, eu... a gente precisa conversar. - Gaguejou Lia, sentando na cama. Encostou-se na parede, pegou um travesseiro e abraçou-o, como pra controlar o medo e abafar o som do seu coração.

- Que foi? Algum problema? - preocupou-se Diogo, levantando da cadeira do computador, indo sentar-se perto dela.

- É... Quer dizer, não é bem um problema. É mais uma resolução.

- Tá, e essa resolução consiste em...?

- Calma, eu preciso te explicar algumas coisas antes... Só não sei muito bem como...

- Tu estás estranha.

- Eu sei, eu sei! Droga, é o seguinte: eu precisei me afastar. Precisava tentar... ver se isso passava. Mas não adiantou. Então, eu acho que não tenho outra opção... não sei mais... não acho que ainda tenha algo que eu possa fazer pra evitar.. pra parar isso.

- Lia, calma. Respira. - Diogo esperou um tempo, olhando pra ela, até que ela olhou pra ele - Agora tenta falar comigo. Tu estás aí tagarelando contigo mesma, e eu não to entendendo nada.

- Exatamente! Como tu vais entender? Merda... Antes, eu quero que tu saibas que eu tentei. Juro. Eu não queria estragar tudo. Mas não deu. Não adiantou. Por isso eu to aqui. Pra te dizer uma coisa... e te pedir outras.

- Lia...

- Di. A gente... Tu és meu amigo, né?

- Preciso responder isso? Claro, pô. Que papo é esse, Lia?

- O papo é esse. Tu és meu amigo... essa é a questão...

- Lils, aqui! Não te perde. Olha pra mim. O que tu queres dizer com "essa é a questão"? Eu sou teu amigo, tu és minha amiga. Agora quer me dizer qual é o problema?

- Justamente... tu és meu amigo, e eu sou apaixonada por ti.

- ... Quê?

- Desculpa.

- Desculpa? Estás te desculpando pelo que?

- Por estragar tudo. Por ser uma imbecil. Por pegar uma coisa ótima que a gente tinha, fantasiar, e transformar numa merda de amor, complicando tudo! Deixando tudo mais difícil! Eu não queria... desculpa.

- Então... tu gostas de mim.

- É, Diogo! Qual parte tá difícil de entender? Eu me apaixonei. E agora que tu sabes, eu queria te pedir uma coisa... duas, na verdade.

- Li...

- Me escuta! Primeiro: não conta pra ninguém. Por favor. Eu não... a gente... eu espero que a gente possa voltar ao que era. Então é melhor que ninguém saiba, pra não ter problema quando isso passar.

- Quando isso passar? Passar pra que??

- Segundo: eu preciso de um tempo. Quer dizer, eu nem sei se é disso que eu preciso. Mas eu preciso pensar mais um pouco. Então acho que vou ficar sumida por mais um tempo. Até achar que é seguro ficar do teu lado de novo... tá? Tu podes dizer qualquer coisa pro pessoal. Justifica a minha ausência de alguma forma, mas, por favor, me dá esse tempo.

- Já acabou?

- Assim que tu me prometeres fazer o que eu pedi.

- Para de falar besteira, e me ouve.

- Promete?

- Não, Lia. Eu não prometo fazer nada disso.

- Diog...

- Eu não quero fazer nada disso. Esperar passar? Ficar longe de ti? Tá doida? Tu finalmente gostas de mim! E tu queres que eu espere "isso" passar!? Lia, eu te amo. E não há o que me faça deixar "isso" passar.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

If you love me, won't you let me know?

Eles se conheciam havia quase dez anos, mas jamais houvera tanta intimidade como agora. Em menos de um mês a companhia um do outro passara a ser confortável e leve a um ponto que se tornava prazerosa até demais. Era como se tivesse sido assim desde o início. Desde quase dez anos atrás...

Sentados em cadeiras de praia, à beira do mar, naquela mesma cidade onde se conheceram, Lia e Rafael falavam de besteiras e importâncias, sem se preocupar com medos e segredos entre si. Era simples... quase perfeito. E, num desses momentos de silêncio, que tendem a ser desconfortáveis - mas não ali... nunca ali -, Rafael olhava Lia com uma expressão que ela não compreendia.

- Que foi, Rafa? Que cara é essa?

- Eu só tava pensando que, pelo menos, fico feliz pelo Daniel.

- Como assim?

- Quer dizer, enquanto eu podia, não tive coragem de dizer o que eu queria, e tu sumiste. Por mais de um mês, eu esperei te encontrar, decidido a não perder mais tempo, quando tu finalmente apareceste... com ele. Perdi minha chance. Não posso dizer que fiquei feliz com isso, mas eu gosto muito do Daniel. Ele é um cara bacana. Acho que dá pra ficar feliz com isso.... por vocês, eu digo.

- Hum... E o que tu dirias se me encontrasse sozinha? - provocou Lia, com um meio sorriso no rosto.

- Agora não adianta mais, não é? Vocês estão juntos. Ele é meu amigo. Acho até que já falei demais...

- Rafa, eu não to mais com o Daniel.

- Quê??

- Aliás, faz duas semanas que eu nem ao menos vejo o Daniel.

- Por que?

- Porque não é dele que eu gosto.

- Tu terminaste?

- Acho que a gente pode dizer que ele terminou...

- Por que não me falaste nada?

- Pensei que já soubesses.

- O que aconteceu?

- Ele me pediu em namoro.

- Não to entendendo.

- Ele pediu, e eu não aceitei. Eu disse que não podia. Não seria justo com ele ou comigo. E, como tu disseste, ele é um cara bacana, não merecia que a gente continuasse com isso. Eu expliquei... disse pra ele que não poderia aceitar, porque, mesmo tendo plena consciência do quão bom ele era pra mim, e de gostar muito de ficar perto dele, eu não gostava dele o suficiente pra ser ou fazê-lo feliz. Ele quis saber, pediu que eu falasse todas as minhas razões pra afirmar isso, e eu não pude esconder que, na verdade, eu tava gostando de outro. Bom... não tava, to.

- De quem?

Lia sorriu. É impressionante como homens são tão cegos pra certas coisas. Como ele pode não perceber?

- Quem é, Lia? Por que tu estás rindo?

- Porque tu és tão inteligente e esperto, e me conhece tão bem, mas não consegue enxergar que tudo o que eu quero é que tu me digas o que tu queres, pra eu poder ser exatamente o que tu disseres.

- ... Ele sabe disso?

- Do que? Que és tu?

- É...

- Sabe.

- E o que ele disse?

- Quase o mesmo que tu. Disse que não gostava da situação, que tava muito triste, mas que, pelo menos, ele te conhecia, e sabia que tu poderias me fazer feliz. E que, por mais difícil que fosse pra ele, achava que tu merecias ser feliz, mesmo que fosse com a mulher que ele ama... Mas eu não acho que ele me ame...

- Isso a gente não pode saber.

- Não, acho que não pode...

Eles ficaram ali, se olhando, por um tempo. Até que Rafael saiu de sua cadeira e se ajoelhou em frente à Lia, de modo que seus rostos ficassem no mesmo nível. Colocou aquele lindo rosto em suas mãos, e, olhando em seus olhos, disse:

- Eu quero que tu sejas tudo o que eu quero ser pra ti.

E, finalmente, a beijou.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Jogando o bom senso no lixo

"E quando você me envolver
Nos seus braços serenos
Eu vou me render
Mas seus olhos morenos
Me metem mais medo
Que um raio de sol
"

                                            Tom Jobim.

Ela sabia que não devia, mas queria provocar. Conhecia-o. Sabia que seria fácil. Não por ela. Por ele. Não era o tipo que dificultava. Bastava umas poucas palavras. As palavras certas. E ele cedia. Simples. Sempre fora assim. Não seria diferente dessa vez. E não foi.

Em pouco tempo, ela estava sentada, na portaria do seu prédio. Esperando-o. Experimentando a já conhecida e incômoda sensação de esperá-lo. Mesmo assim, quando chegou a hora, ela entrou no carro sem hesitar. Fez charme. Beijou seu rosto. Reconheceu a música, e sorriu, nervosa.

A noite seguia, e a segurança do início parecia esvaecer com os minutos passados. Sentiu as investidas de sua coragem, louca para correr, sumir dali, abandoná-la. Mas sempre fora assim. Ela sabia. Sustentou-se na cerveja. Ignorou sua consciência. Trancou a coragem. E continuou provocando, sorrindo e tocando. Sem pensar.

A cerveja já era suficiente. A Praça do Carmo já estava quase vazia. O bar Nosso Recanto começava a recolher as mesas. A conta foi paga. E a vontade, já quase transbordando, saciada. Boca. Mãos. Pele... Desejo.

Ela não quer pensar. Só agir. Lembrar. Viver... de qualquer forma. E, assim, se entrega. Não pensa, nem fala. Sente. A barba. A textura. O sabor. O calor que só ele traz. Os arrepios que só as mãos dele provocam. A inflamação que só o amor dele é capaz de lhe dar. Mesmo que por uma noite. Mesmo que vez ou outra. Engana-se e deixa-se enganar. No amanhã, ela pensa depois. Sempre fora assim. Ela sabe...

* * * * *

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Às vezes, nem a gente sabe...

- Desculpa não ter aparecido antes. Eu queria ter ligado... Não quero que tu penses que eu to aqui por obrigação.
- Não tens com o que te preocupar. Eu não cheguei a pensar em nada.
- Acho que isso pode me deixar mais preocupado.
- Acho que não posso fazer nada quanto a isso.
- A gente não precisa falar sobre isso agora. Vem aqui...
- Para com isso, Rodrigo. Eu to bem.
- Não, Lia. Não estás, e nem precisas estar. Tu perdeste a tua avó e estás sentindo a dor dessa perda. E isso tá “tudo bem”; sentir a dor e pôr pra fora. Não guarda isso pra ti. Não tranca isso aí dentro.
- Para, Rodrigo.
- Olha pra mim.
- Sai daqui.
- Eu não vou a lugar algum. To aqui pra te ajudar no que tu precisares. Principalmente naquilo que tu nem sabes que precisa.
- Vais agir, agora, como se me conhecesses tão bem assim? Como se participasse da minha vida o suficiente pra saber do que eu preciso, mais do que eu mesma?
- Eu sei do que tu precisas, agora. Eu te conheço o suficiente. E quero participar da tua vida... de novo.
- Eu não preciso da tua ajuda.
- Mas eu preciso te ajudar. Eu quero.
- Então me deixa em paz.
- Essa é a ideia.
- Para! Sai daqui, Rodrigo. Eu não vou conseguir, desse jeito. Eu não aguento. Vai embora! Eu não quero... – e ela chorou. Chorou como poucas vezes na vida. Até não ter mais forças ou lágrimas... até a dor acalmar. Então olhou rapidamente para o rosto dos braços e ombros que a sustentavam, e, aliviada, sussurrou – brigada...
- Pro que tu precisares, meu amor.
- Até pro que eu acho que não preciso.

* * * * *


Escolhi ao vivo, porque tem mais emoção.
E o Steve Tyler é demais, até com essa maquiagem estilo "Qual é a Música" de ser.

* * * * *

Isso é "só" um texto, viu, gente?
Não que eu nunca tenha sentido essa dor, mas já faz um tempo. E, apesar de não ter tido um Rodrigo na minha vida, eu fiquei e continuo bem. =)

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Rapidinhas da Lia.

Olá, queridos! Cá estou eu, novamente.
E hoje tem:

1- Texto!

No jantar de noivado da Manoela...
- O que tu estás fazendo aqui?
- Conhecendo o imbecil do noivo da minha prima.
- Ela sabe que ele é um imbecil?
- Ainda não.
- E o que tu vais fazer?
- Ainda não decidi.
- Adianta fazer alguma coisa?
- Deixar minha prima cometer o pior erro da vida dela - incluindo o corte que ela resolveu usar em 2004 - é que eu não vou.
- 2004? Era muito ruim?
- Se eu fosse ela, destruía todo e qualquer registro.
- Ugh. Prefiro nem saber.
- Me pergunto se não seria melhor...
- Ah, vai. Dá um desconto.
- E por que deveria?
- Em homenagem aos velhos tempos?
- Como se isso valesse alguma homenagem...
- Não me lembro de te ouvir reclamar.
- E por que reclamaria? Preferi ficar calada, torcendo que tudo acabasse logo. Reclamar só prolongaria a coisa ainda mais.
- Eu, hein. Precisa ser tão dura?
- Ahh, magoou?
- Cínica.
- Burro.
- Burro?
- Tu sabias meu sobrenome. Não desconfiaste nem por um momento que eu poderia ter algum parentesco com a Manoela?
- ...
- Burro.

2-Música!

Simplesmente, não consigo tirar essa música da cabeça.

3- E filme!

Na Natureza Selvagem (Into the Wild)
ano de lançamento (EUA): 2007
direção: Sean Penn
atores: Emile Hirsch, Marcia Gay Harden, William Hurt, Jena Malone, Brian Dierker
duração: 02 hs 20 min
descrição: aqui.

Um filme lindo, com uma trilha sonora demais [com dedos - e voz - do Eddie Vedder]. Nessas horas que eu queria ser uma boa resenhista, pra passar pra vocês o quão bom é esse filme. Dá uma vontade de fazer o que ele fez... uma vontade de viver assim.
Enfim... Recomendo.

;**

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Ainda Encontro a Fórmula do Amor?

Ela não era do tipo que esperava pelo príncipe encantado. Já conhecera sapos suficientes pra afastar essa ideia da cabeça. Claro, ela sabia admirar qualidades, mas também tinha plena consciência dos defeitos. Esperava, sim, por alguém bom, mas nunca perfeito. Perfeição não existe, ela sabia. Mas não só não esperava, como não queria! Perfeição deveria enjoar, ela imaginava.

Sempre fora bastante racional. Considerava e objetivava sentimentos. Racionalizava qualidades e defeitos, pesava-os e decidia se valiam à pena ou não. Isso sempre a ajudou e protegeu na hora de fazer escolhas. Porque, sim, ela escolhia. Escolhia arriscar. Mas nunca era arriscado. Suas escolhas eram seguras. Pragmáticas. O Bom menos o Ruim. Resultado positivo, ia em frente. Negativo? Não dava mais um passo sequer.

Parecia insensível. Mas ninguém poderia dizer que ela era infeliz. Ela era segura, bem resolvida, tranquila e feliz. Vivia bons relacionamentos com pessoas agradáveis, que combinavam com ela e colaboravam pra sua felicidade. Um toma-lá-dá-cá, como qualquer relacionamento deve ser, com a única diferença de ter surgido de uma fórmula. A velha fórmula do amor.

Mas seria possível? Poderia alguém encontrar tal fórmula? Ela acreditava que sim. Não só acreditava, como vivia a fórmula. Fazia os cálculos cuidadosamente. Analisava os resultados. E vivia o amor. Ou assim pensava...

Nunca havia duvidado da eficiência da fórmula. Estava plenamente satisfeita com a vida que levava, baseada na ciência do cálculo. Até que – sempre, mas sempre tem um “até que”, não duvide – ele surgiu. Ele. Aquele que contestaria a sua ciência. Aquele que embaralharia números e operações, e derrubaria sua fórmula.

Seus defeitos misturavam-se às qualidades. Ela não conseguia distingui-los, para então equacioná-los. Ficou confusa. Sua segurança a abandonou. Sua tranquilidade foi abalada. Repeliu-o, mas tudo a prendia a ele. Tinha curiosidade. Ela queria decifrá-lo. Entendê-lo. Ela dependia da sua fórmula pra definir as pessoas, e ele permanecia indefinido. Isso era inconcebível. Por mais medo que sentisse, precisava permanecer ao lado dele. Isso era incontestável. E, assim, passou a conhecê-lo.

Jogou fora a sua fórmula. De que ela lhe servia? Ele era inequacionável. Seus defeitos e qualidades se fundiam, como para completar o seu ser. Separá-los e adicioná-los era impossível, pois eram um só. Eram parte dele. Do todo. E esse todo... nossa, como era lindo! E como encaixava com o seu ser! E era só disso que ela precisava. Era só isso que ela buscava, mesmo sem saber. E teve sorte de encontrar.

Desde então, só um assunto da matemática a interessava: conjuntos. E era o conjunto da vida dela intercedendo com o conjunto da vida dele.











* * * * *

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Principiando



- Eu gosto tanto dessa estrada...
- Eu também. Tem uma fazenda que eu quero pra mim, desde pequeno.
- Seria uma que a casa fica na beira de um lago, e tem um trapiche?
- Essa mesma!
- Também sou apaixonada por essa fazenda, desde pequena. Sempre dizia pra mamãe que eu ia ter uma igualzinha.
- E a gente pode ter uma família inteira de Golden Retrievers.
- Tá decidido. Hehehe...
- Que foi isso?
- O que?
- Tu fizeste uma cara estranha... E viraste o rosto.
- Eu fiz isso?
- Desculpa... Eu pensei que... Muita coisa foi dita ontem.
- Nando, não te preocupa. Eu entendo... A gente não tava no nosso estado normal.
- Mas... Lia, eu não disse mentira alguma, ontem. Tudo o que eu te falei, é o que eu sinto. O fato de estar fora do meu estado normal não me fez imaginar o que sinto por ti. A única diferença, se eu estivesse sóbrio, é que eu não teria dito nada... Não teria coragem de dizer.
- Nesse caso, eu fico feliz que tenhas dito. Eu sempre achei que as coisas deveriam ser assim. Esconder sentimentos só deixa a coisa mais difícil. Se tu não me disseres o que tu sentes ou queres, eu não posso adivinhar. Nem tu podes me entender, se eu não me mostrar pra ti. Então... eu acho que a gente fez certo. E deve continuar assim.
- Então a gente vai ser do tipo que fala tudo o que sente?
- A gente pode tentar.
- Isso seria, no mínimo, diferente.
- Por isso que eu acho que vale à pena tentar. Eu sempre vejo os casais vivendo essa brincadeira de adivinhação. Ninguém diz o que quer ou pensa, mas os dois esperam que o outro seja exatamente o que querem e pensam. Meio difícil de acontecer...
- É verdade... Acho que a gente acabou começando bem, afinal.
- Também acho... E eu também não disse nada além do que sinto, Nando. Tu realmente tens sido parte significativa da minha paz, ultimamente.
- E tu tens sido a minha paz.
- E vou fazer o que puder pra continuar sendo.
- Então a gente tá namorando?
- Isso é um pedido?
- É.
- Então a gente tá namorando.
- Olha a nossa fazenda.
- Posso até ver os Goldens correndo, perto do lago...

domingo, 13 de setembro de 2009

Quando um não quer, dois não namoram.

Olá!
Indo direto ao assunto, o texto de hoje foi escrito há meses atrás, mas é hoje que ele aparece aqui. Sem mais delongas...

Kt Tunstall - Universe & U.

we are just the same.

- É, bonzinho só se fode.
- Estás querendo dizer que tu és boazinha?
- Eu não sou má, ué.
- Nem boazinha.
- Como não?
- Tu não tens nada de boazinha. És muito resolvida e independente pra isso. Eu tenho é medo de ti. Acho que qualquer homem tem.
- Tu que és frouxo, ora. Não mete todo o universo masculino nesse teu mundinho.
- Frouxo? Não esquece que eu já tentei, e tu me largaste.
- Não começa com frescurinha.
- Eu não gostei de ser largado.
- Pra começar, tecnicamente, eu nem te larguei. A gente é amigo, e eu sempre deixei claro que nunca pensei em passar disso contigo. Foi só um “pega”. Tá, uns. E se eu bem me lembro, tu mesmo disseste isso.
- Na primeira vez.
- E daí?
- E daí que, depois, isso mudou.
- Pra ti.
- Claro que foi pra mim.
- E a culpa é minha?
- Deve ser, ué.
- Ah, muito engraçado. Tu confundes as coisas e a culpa é minha?
- Eu não confundi nada. Só passei a querer mais do que simplesmente te pegar.
- E eu notei isso. Tanto que resolvi parar de vez com a brincadeira. Vai dizer que eu não sou boazinha, agora?
- Boazinha?? Fria e calculista é a nova definição pra boazinha?
- Mais essa agora. Estás com muita frescura pro meu gosto.
- Não é frescura. São fatos.
- Que fatos, menino? Tá ficando doido? - Ainda tem cerveja aí?
- Tem, me dá teu copo. - Eu não to ficando doido. Tu que não te relacionas.
- Eu não me relaciono?
- Não. Tu tens um programa de interações sociais.
- Hahahahahaha. Essa é nova.
- Nem tanto. Fazes isso há um tempo. Mas foi boa, fala a verdade.
- Foi. Hahahaha. Mas eu ainda acho que tu estás ressentido, porque eu não quis nada mais sério contigo.
- Não dá pra ficar ressentido por uma coisa que já se espera.
- Ai, tá, tá. Já cansei das tuas lamúrias. Me fala da Larissa. Vocês já ‘tão namorando?
- Não. Não quero namorar. Acho que vou terminar com ela. Tá cobrando muito.
- Rá! Depois sou eu...

* * * * *

Então...
Depois de quase 20 dias sumida, cá estou eu novamente.
Eu poderia dar milhões de desculpas, inventar milhares motivos, mas a verdade é que estou passando por uma fase de transição. Redefinindo prioridades. Estabelecendo novas metas. Enfim, mudando. A gente não escolhe passar por essas coisas, mas elas acontecem, e a gente fica meio perdido e confuso, até que a coisa fica mais clara. Encontra o novo eu. E acho que to quase lá. =)

No mais, to devendo uns selos, eu sei. Mas vou cumprir com as minhas obrigações de Detentora de Selos, assim que possível. Juro. =)

Espero que não tenham me abandonado.
;*

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Café ou Chocolate Quente?


Estressado e irritado, passando em frente à cafeteria perto de sua nova casa, decidiu entrar e relaxar um pouco. Nunca havia parado ali. Mas precisava esquecer o terrível dia que estava tendo, antes de chegar em casa. Desejou ter um bom livro no carro. Poder escapar desse mundo, nem que fossem por alguns minutos...

Conseguir uma vaga não foi tão difícil, pelo menos. Conformando-se com o jornal que repousava no banco do passageiro, entrou e foi direto ao caixa. Pediu seu café expresso e procurou um lugar para sentar. Claro que não havia. Enfim, seu dia não estava para brincadeira. Até simples coisas, como tomar um café, poderiam tornar-se difíceis, dentro daquelas 24 horas.

Com a bandeja nas mãos, olhou ao redor, em busca de uma solução. Em uma mesa ao lado de uma pequena palmeira, bem na janela, uma mulher sentava sozinha, lendo um livro. Reconhecendo sua única opção, encaminhou-se à mesa, timidamente, e pigarreou.

- Hum-Hum, licença... Será que eu poderia sentar aqui? É que todas as mesas estão ocupadas...
- Ahn... Claro. - respondeu, com um meio sorriso.
- Obrigado. – sorriu o homem, sentando-se e olhando para o livro nas mãos dela. – “A Menina que Roubava Livros”. Esse livro é muito bom.
- É... eu sei. Na verdade, é a segunda vez que leio. Acho que é meu preferido. - disse, em um tom que encerrava a conversa, e voltou para sua leitura.

Ele ficou ali, tomando seu café expresso e lendo o jornal. Vez ou outra, desviava o olhar das notícias do mundo, para dar uma espiada na sua companheira de leitura daquele início de noite.

Era uma mulher muito bonita. Com um corpo, até onde se podia ver, na medida certa. Parecia ser alta. Pernas longas, ligeiramente torneadas. Seios lindos, e muito bem aproveitados em um generoso decote, onde se escondia um pingente, pendurado no final de uma fina e provocante corrente. Tinha os cabelos castanhos e cacheados, um pouco acima dos ombros, que emolduravam perfeitamente seu rosto inocentemente astuto (se é que isso poderia existir). Seus grandes olhos âmbar tinham um quê adocicado e decidido, e brilhavam, alimentando-se das palavras que dissera serem suas preferidas. Em sua boca carnuda e rosada, um sorriso brincava, querendo aparecer, mas se escondendo, como para provocar aquele homem a ficar ali, esperando que ele enfim resolvesse mostrar-se.

A verdade é que, vez ou outra, ele conseguia desviar o olhar daquela mulher, para dar uma espiada nas notícias do mundo. Ainda assim, sem conseguir absorver qualquer palavra. Estava hipnotizado. Aquele dia, definitivamente, estava decidido a ser o mais problemático de sua vida.

Em um movimento incerto, ela virou um pouco a xícara à sua frente, para constatar seu conteúdo vazio. Olhou em volta, aparentemente procurando uma garçonete, marcando a página e fechando o livro. Ansioso, ele não resistiu.

- Você quer mais café?
- Oi? Er... não. Era chocolate quente. Do café, eu só gosto do cheiro. E muito. – Riu-se, corando um pouco.
- Só do cheiro? – Perguntou ele, desesperado pra manter a conversa, mesmo que aquilo o incomodasse um pouco.
- Ahã. Sou apaixonada pelo cheiro de café. Pena que o gosto não fique à altura. Odeio o amargo que fica, no final. – completou, com uma careta graciosa. Essa mulher parecia conseguir juntar, em si, adjetivos totalmente opostos com muita facilidade.

A garçonete apareceu, e ela pediu um pão de queijo, junto com o novo chocolate quente. Então, virou para o homem com quem dividia a mesa, e perguntou:

- Você não vai querer mais nada?
- Ahn, claro. Eu vou querer um... – começou, analisando o cardápio que a garçonete trouxera, rapidamente – um folhado de queijo e presunto, e... acho que também vou de chocolate quente. É, é isso. Por favor.

A garçonete se afastou, e, quando ele olhou para a mulher ao seu lado, ela estava olhando para suas mãos em cima da mesa, com um sorriso curioso. Ele ficou intrigado, e levou suas mãos, rápida e inconscientemente para debaixo da mesa, onde começaram a suar, nervosas. Ela levantou os olhos para ele.

- Esse chocolate quente é viciante. Você nunca mais vai querer saber do café.
- Espero que isso não aconteça... Eu amo café. Meu relacionamento com ele vem de anos. Acho que ele não vai suportar se eu o trocar pelo chocolate, a essa altura da vida. – O que ele estava fazendo??
- Hum, isso é perigoso. Ninguém aqui vai querer magoar o café. Acho melhor você trocar seu pedido...

Mas ele não trocou. Tomou o chocolate. Conversou com aquela linda e interessante mulher por algumas horas, finalmente esquecendo o dia que tivera. Até que seu celular tocou e ele sentiu-se obrigado a ir para casa.

Nunca mais voltou àquela cafeteria, ou encontrou a Mulher-do-Chocolate-Quente. Mas toda vez que o pedia, ao invés do seu habitual café, sentia uma pontada de culpa, como se aquilo significasse, na verdade, que estivesse traindo sua esposa.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

S.A.C.

- Sentimentos Ilimitada. Rosana. Bom d...
- Argh, não me venha com "bom dia", Rosana! Guarda essas coisinhas felizes pra quando a imbecil da Cinderela ligar!
- Desculpe, senhora. Em que posso ajudá-la?
- Tu podes começar dizendo onde é que desliga essa bosta de amor que vocês criaram! E então? Onde é?
- Perdoe-me, senhora, mas não creio que o que a senhora deseja seja possível.
- Pois é bom começar a crer, Rosana. Eu não to de brincadeira. Não aguento mais esse negócio, e quero desligar agora.
- Senhora, não é assim que nós funcionamos. Não existe um botão que desligue um sentimento.
- Ah, não tem botão?
- Não, senhora.
- Manual de instrução?
- Não, senhora.
- Quer saber, Rosana? Já deu pra ver que eu não vou conseguir resolver meu problema contigo. Eu quero falar com o responsável. Não, eu quero falar com o chefe do responsável! Melhor! Põe Deus no telefone.
- Tudo bem, senhora. Vou ver o que posso fazer. - Tã-nananã-tã-tã-tananananã, Sentimentos Ilimitada. Criando sentimentos desde a-perder-de-vista a.C. Proporcionand...

- Cristiano, Gerente-Geral. Em que posso ajudar?
- Gerente-Geral?? Meu querido, eu quero falar com Deus.
- Receio que ele esteja um pouco ocupado no momento, senhora. Mas tenho certeza que nós poderemos estar resolvendo o seu problema, tranquilamente.
- Meu bem, a não ser que você tenha a merda do botão que desliga essa praga de amor que vocês criaram, me ponha pra falar com Deus, imadiatamente! E sem musiqunha ou propaganda!
- P-pois não, senhora.

...

- Olá, Maria Lia. Qual é o seu problema, minha filha?
- Deus? Ai, Deus, o meu problema é que vocês criaram uma coisa que, além de eu não ter a menor ideia do que fazer com ela - porque vocês nem sequer disponibilizam um manual de instrução -, eu não posso desligar. E eu quero desligar. Eu preciso desligar!
- De que sentimentos estamos falando, minha querida?
- Do Amor!
- Ah... Claro. Qual deles?
- Tem vários?
- Claro, querida. Nós amamos cada um de uma forma diferente.
- Pensei que amor fosse amor. Tudo igual. Tudo difícil.
- Esse é um tipo. O difícil. Então, é dele que estamos falando?
- É. É do difícil. Daquele que não te deixa dormir. E quando deixa, ele aparece no sonho, e te ilude. Te faz sonhar com coisas lindas, e depois chorar, quando o sonho acaba e tu acordas. É daquele que dói. E eu não gosto disso, Deus. Não gosto. Não quero mais. Por favor, desliga isso?
- Sinto muito, minha filha, mas não posso fazer isso.
- Como não?! Deus pode tudo.
- Não isso.
- Então o que eu faço com esse amor?
- Gasta. Esse é do tipo que acaba, minha querida.
- Acaba?
- Acaba.
- E demora muito?
- Não mais do que você possa aguentar.
- Promete?
- Prometo.
- Hunf... Então vou ter que esperar.
- Receio que sim, minha filha. É difícil, eu sei. Mas você ainda vai nos agradecer.
- Com todo o respeito, Senhor, eu duvido. Mas é o jeito. Te contrariar é que eu não vou.
- Hahaha. Eu diria que é mais sensato não contrariar, mesmo...
- Então tá, Deus. Vou tentar gastar esse negócio.
- Muito bem, minha filha. Muito bem.
- Ah! Só mais uma coisinha, Deus. Acho que seria bom repensar o cargo de alguns funcionários. Aquele Cristiano é meio frouxo pra um Gerente-Geral, sabe?


* * * * *

Vídeo de hoje: Falso Retrato (U-Hu), de Móveis Coloniais de Acaju


Primeiro, porque cabe na situação do texto.
Mas, principalmente, porque eu não tenho palavras pra explicar como eles são ótimos, ou o quanto o show deles, no último sábado (08/08), foi incrível!
E ainda ficaram ali, depois do show, conversando com todo mundo. Atenciosos e simpáticos, que só eles!

Se vocês não conhecem, procurem conhecer, logo! Vale muito à pena.
Você pode baixar o álbum C_mpl_te, aqui, pelo Trama Virtual.

Apaixonem-se, como eu, por esses distintos rapazes de Brasília.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Joguinho do "To Nem Aí"

Ele

- E aí, Zeca!
- Fala Pedrão! Cadê a Lia?
- Sei lá, porra. Deve tá por aí.
- Pô, pensei que vocês estivessem namorando. A Lia é demais, cara.
- Eu namorando, Zeca? Tá de sacanagem, né, velho?
- Hahahaha, vai saber, meu amigo. Vai saber.

Que negócio é esse de "a Lia é demais"?? Eu sei que ela é demais. Esse filho-da-puta já tá de olho na minha Lils. Pô, mas cadê a Lia?! Ela nem entrou no msn ontem. Será que ela saiu? Mas ela tem me dito toda vez que sai... Será que isso já mudou? Em dois dias? Eu pensei que ela estivesse gostando da gente. Pelo menos parecia que tava gostando... Pior que to afim de ver a minha Lils, hoje. Matar a saudade daqueles cachinhos. Acho que to viciado no cheiro dela. Vou ligar.


Ela

- Bora fazer a unha, amanhã?
- Ai, Cá, o Pedro sumiu.
- Como assim "sumiu", Lia?
- Sumiu, ora! A última vez que a gente se falou foi sexta. Sábado a mamãe me sequestrou, e ontem eu não consegui entrar no msn um minuto sequer! Nem sei por onde ele andou ou o que pode ter feito durante esses dois dias. E nem pra me ligar! Ai, Cá, será que acabei virando mais um lanchinho? Eu tava gostando tanto da gente... E to com tanta saudade daquele barbado. To sentindo uma falta do meu Pê! O que eu faço?
- Ih, Lia... liga pra ele, então.
- Claro que n... - turururu-turururu-tururururuuu - Ahh! É ele, Cá! É o Pê!!


O Joguinho

[Sem demonstrar muito entusiasmo, Lia. Calma] - Alô?
[Alô? Desde quando ela atende que nem telefonista?] - Alô. Oi, Lia. Sou eu. Tudo bem?
[O que aconteceu com o "Lils"?!] - Oi, Pedro. Tudo, e contigo?
["Pedro"??] - Também... Qual é o nome do filme que tu tinhas me dito pra baixar, mesmo?
[É isso que ele quer??] - Hum... Zeitgeist? Era esse?
[É, e eu já baixei. Quer ver comigo?] - É! Esse. Não tava conseguindo lembrar. É Z-E-I-T-G-E-I-S-T, né?
[Não vai nem me chamar pra ver contigo?] - Isso. Tenho certeza que vais gostar. Me avisa q... hum... qualquer coisa...
[Me avisa o que, Lia? Colabora um pouco, pô] - Claro. Ahn... valeu.
["Claro, ahn, valeu"??] - Disponha. Hehehe.
[Não tá parecendo isso..] - Hehehe... Então... Então tá, Li. A gente se fala. Beijo.
[Quê?! Como assim? Só isso!?] - Beijo, Pê. Tchau...


Ele e Ela

Merda.


* * * * *

Já viram a entrevista do Marcelo Adnet no Programa do Jô?
Pois assistam! Tá Incrível!
O AdneTRIP dinibilizou a entrevita completa aqui.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Desmatamento


So Real - Jeff Buckley


- Lia...? Posso entrar?
- Claro, Nando. Entra... É o teu quarto, afinal. - ele entrou e deitou na cama enorme, bem perto de mim.
- Não quero atrapalhar teu sono.
- Hum... Cadê o resto? Ainda tá vendo filme?
- Tá. Eu vim ver como tu estás. - Pressionou seus lábios nos meus. Rápido e suave.
- Eu to bem, Nando. Só um pouco cansada, mesmo... Uma boa noite de sono resolve.
- Então dorme, Li. Eu te acordo mais tarde, pra tu ires pra casa. - E ficou ali, me olhando. Como quem quer velar meu sono. Como se isso fosse o que mais importava.

Eu fechei meus olhos. Minha imaginação, incontrolável e louca, começou a trabalhar em volta de nós dois. Lembrando do último fim de semana. Repassando o nosso primeiro beijo, e tudo o que nos levou a ele. A praia. A lua cheia. As palavras doces e leves, que voavam dele e pousavam direto no meu coração. Palavras, que de repente pareceram criar raízes. Que se transformaram na mais sólida floresta de esperança que meu coração já permitiu crescer. Eu sorri. Abri os olhos e ele ainda estava me olhando. Ele também sorriu.

- Pensando em que, Li?
- No fim de semana... - Fechei os olhos, ainda sorrindo. E ele me beijou de novo. Não tão suave, dessa vez.

Eu continuei meu devaneio de nós dois... Ele me levando pra casa dele, insistindo em me apresentar pros pais dele. "Mas eu quero te apresentar oficialmente", ele disse quando lembrei que já os conhecia. Oficialmente. Não importava há quanto tempo eu os conhecia, eu também queria conhecê-los oficialmente. Nossas mãos entrelaçadas. Um abraço carinhoso e protetor. Quase possessivo. "Olha, pai. Ela é minha, agora". E o meu sorriso bobo, denunciador. Gritando, pra qualquer um, a única verdade dentro de mim. Eu queria ser dele. A floresta de esperança, densa e forte. Real. Espalhando sentimentos por todo meu coração. Firme, como se estivesse ali desde o início. Desde sempre.

- Sabe, Lia... acho que isso vai ser bom. A gente ficando de vez em quando. Curtindo, uma vez ou outra. Vai ser divertido.

E eu fiquei de olhos fechados, com medo que eles me traíssem e revelassem a dor que aquelas novas palavras causavam. Tratores arrancando cada árvore do meu coração pela raiz. E desaparecendo, deixando pra trás o meu, agora, devastado coração de floresta.